
Uma operação conjunta de máquinas pesadas e policiais armados avançou sobre uma propriedade rural em Catalão, Goiás, antes mesmo da conclusão do acordo de desapropriação, gerando confronto direto com a proprietária de 78 anos, dona Maria da Paz. A idosa, viúva desde 1996 e responsável pelo local há cinco décadas, ajoelhou-se diante dos equipamentos para tentar impedir o avanço, enquanto era ameaçada de prisão e multada durante a ação conduzida sob a gestão do governador Daniel Vilela. O episódio revela uma postura agressiva do poder público estadual, que optou pelo uso de força em vez de priorizar o diálogo com a família afetada.
Operação sem acordo prévio agrava tensão
A ação combinada mobilizou operadores de máquinas e agentes armados que cercaram a área para extrair material destinado a uma obra de asfaltamento estadual. A família, que vive no local há 50 anos, ainda negociava os termos da desapropriação quando a intervenção ocorreu, expondo a pressa do governo em atender prazos eleitoreiros. A advogada Vanessa Ferreira, que acompanhava o caso, relata ter sido contida pelo braço e ameaçada de prisão ao questionar os procedimentos, enquanto documentos de multa eram exibidos como forma de pressão psicológica e jurídica.
Resistência pacífica de idosa expõe mão de ferro
Dona Maria da Paz administrou sozinha a propriedade desde a morte do marido em 1996, criando os filhos no local que agora serve como fonte de material para obras públicas. Sua resistência, marcada por um ato pacífico de ajoelhar-se diante das máquinas, contrastou com o aparato policial mobilizado contra uma mulher idosa, destacando a escolha do Estado por confronto imediato em vez de esgotar vias negociadas. O Ministério Público é questionado no episódio por não ter mediado o impasse antes da chegada dos equipamentos.
Não é dinheiro que me faz feliz. Estão tirando a minha história. A gente vive aqui há 50 anos. Meus filhos cresceram aqui. Meu marido morreu em 1996 e eu permaneci aqui cuidando de tudo.
Maria da Paz, proprietária
O caso levanta dúvidas sobre a necessidade de pressionar uma família estabelecida há meio século quando negociações prévias ainda estavam em andamento. A abordagem adotada pelo governo Daniel Vilela priorizou a entrega rápida da obra em detrimento da proteção de direitos básicos, deixando marcas emocionais em uma idosa que vê sua história sendo retirada à força.




