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Estado de Goiás teve quase 19 mil mortes no trânsito em 10 anos, aponta Atlas da Violência

Dados mostram que Goiás acumula mais de 1,7 mil mortes por ano desde 2014. Cenário nacional aponta aumento entre motociclistas

Goiás registrou 18.945 mortes no trânsito entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência apresentados em gráficos divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número representa uma média de quase cinco vítimas fatais por dia nas ruas e rodovias do estado ao longo dos últimos 10 anos. Somente em 2024, Goiás contabilizou 1.894 mortes em acidentes de transporte terrestre, aumento de 14,3% em comparação com 2023, quando foram registradas 1.657 vítimas fatais.

Os números colocam Goiás acima da média nacional. Enquanto o Brasil registrou taxa de 17,5 mortes por 100 mil habitantes em 2024, o estado chegou a 25,8 óbitos por 100 mil habitantes, o sexto índice mais altos do país.

Mortes no trânsito em Goiás

Os dados mostram também que Goiás vinha reduzindo gradualmente as mortes no trânsito desde 2014, quando foram contabilizados 2.148 óbitos. A queda continuou até 2019, ano em que o estado registrou 1.470 mortes. No entanto, a partir de 2020, os números voltaram a crescer sucessivamente.

Os gráficos mostram ainda que, em nível nacional, os motociclistas passaram a representar a maior parcela das vítimas fatais no trânsito brasileiro com 15.459 registros. Embora o levantamento não detalhe quantas dessas mortes em Goiás envolveram motos, os dados nacionais apontam um crescimento contínuo desse tipo de ocorrência nos últimos anos.

Especialistas apontam que o aumento da frota de motocicletas, aliado ao excesso de velocidade, consumo de álcool, imprudência e uso de celular ao volante, ajuda a explicar o avanço das tragédias.

Cenário preocupante

Os números refletem situações que têm se repetido nas cidades e rodovias goianas. João Gabriel de Siqueira Costa, de 18 anos, havia acabado de ser aprovado na prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motocicleta quando morreu após uma colisão no Setor Marista, em Goiânia.

Delegado é dono de caminhonete envolvida em acidente que matou dois jovens em cruzamento do Setor Marista (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Segundo a Polícia Civil, o carro em que ele estava como passageiro avançou o sinal vermelho no cruzamento entre a Avenida T-9 e a Avenida Mutirão. O veículo bateu em outro automóvel e, em seguida, foi atingido por uma caminhonete Dodge RAM. O motorista, Eduardo Araújo Saraiva, de 20 anos, chegou a ser socorrido, mas também não resistiu aos ferimentos.

O técnico em agropecuária Felipe Félix Freitas, de 20 anos, perdeu a vida depois que a motocicleta que conduzia foi atingida na traseira por um carro na GO-330, entre Orizona e Vianópolis. O motorista suspeito fugiu sem prestar socorro e há indícios de que ele havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente.

Em Goianésia, Leonardo Xavier de Oliveira, de 18 anos, também morreu após perder o controle da motocicleta e bater contra uma árvore. Ele chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas sofreu uma parada cardiorrespiratória horas depois. Segundo o boletim de ocorrência, o jovem não possuía Carteira Nacional de Habilitação.

Leonardo foi levado à UPA com vida, mas não resistiu aos ferimentos (Foto: Colagem/Reprodução)

Além das mortes, os acidentes deixam milhares de feridos todos os anos, muitos deles com sequelas permanentes. Especialistas defendem maior fiscalização, campanhas educativas e investimentos em segurança viária para tentar reduzir os índices.

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