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Dia Mundial do Brincar: telas substituem brincar ao ar livre no Brasil
O Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio de 2026, evidencia a transformação nas brincadeiras infantis no Brasil, onde o aumento do uso de telas substitui atividades tradicionais ao ar livre. Relatos de adultos e estudos da USP apontam para uma redução na criatividade das crianças, impulsionada por insegurança nas ruas, famílias menores e pais ocupados. A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites de tempo para telas, enquanto projetos como o Gaming Park buscam integrar videogames à educação de forma consciente.
Impacto das telas na rotina infantil
Hozana da Silva observa que as crianças de hoje passam mais tempo sentadas com o celular do que brincando na rua, como ocorria em gerações anteriores. Amanda Sposito, terapeuta ocupacional da USP, explica que a insegurança e a falta de tempo dos pais levam as famílias a delegarem o entretenimento às telas, reduzindo o brincar ativo. Essa dependência diminui a capacidade das crianças de criar brincadeiras por conta própria e aumenta o ócio dentro de casa.
Experiências de famílias e iniciativas educativas
Eu costumo deixar entre um hora e meia a duas horas que ela tem tempo de tela depois da escola. Brincando com as amigas, jogando. Tudo que ela quiser dentro desse tempo. Eu acompanho muito ela assim no celular, a tela para ver o que ela tá vendo. Porque a gente já passou por situações de aparecer cenas sexuais. Então assim, eu limito muito.
Edilaine Ferreira
Em São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, pais como Edilaine Ferreira adotam regras claras para equilibrar o uso de dispositivos. Dara Coema, coordenadora do Gaming Park, destaca que jogos podem fomentar sociabilidade, trabalho em equipe e discussões sobre temas relevantes quando usados de forma crítica.
Caminhos para o consumo digital consciente
Nós vemos casos no projeto em que os jogos são ponte para a sociabilidade entre jovens e também, para além dos jogos educativos, que já são ferramentas mais reconhecidas, os jogos também são objetos de cultura que podem contar histórias, podem levantar discussões, podem conscientizar. Quando a gente fala, por exemplo, no competitivo, os jogos podem ser meios para passar valores relacionados ao trabalho em equipe, comunicação. É tudo uma questão de consumo crítico e contextualizado.
Dara Coema
Especialistas defendem orientar crianças desde cedo sobre algoritmos, dados e fake news para formar cidadãos digitais mais autônomos. Essas ações visam recuperar o equilíbrio entre o mundo virtual e o brincar real, promovendo desenvolvimento saudável.



