A Fundação do Câncer emitiu um alerta sobre o avanço de cigarros eletrônicos disfarçados que ampliam o consumo entre jovens de 13 a 17 anos no Brasil. O comunicado, divulgado em torno do Dia Mundial sem Tabaco em 31 de maio de 2026, destaca que os aparelhos são vendidos de forma ilegal em redes sociais, sites e comércio informal, com formatos que incluem moletons integrados, telas sensíveis ao toque e jogos interativos. Dados da PeNSE de 2024 e apreensões realizadas pela Receita Federal entre janeiro e fevereiro de 2026 reforçam o crescimento do problema.
Novas tecnologias facilitam uso discreto
Os disfarces tecnológicos permitem que os vapes sejam utilizados em locais como metrô e escolas sem chamar atenção. Aromatizantes sem cheiro e recursos interativos integram o dispositivo à rotina dos adolescentes, criando dependência química e digital ao mesmo tempo. Segundo a Anvisa e a OMS, essas estratégias comprometem os avanços obtidos no controle do tabaco no país.
Impactos na saúde e recomendações
A exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro, especialmente áreas relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos, além de aumentar a vulnerabilidade à dependência de nicotina ao longo da vida. Esses dispositivos também podem expor os usuários a substâncias tóxicas, incluindo partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados.
De uma maneira totalmente articulada, e muito mal articulada do ponto de vista da ética, criam até casaco com bocal escondido para a pessoa fumar
Luiz Augusto Maltoni
O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, reforçou a necessidade de vigilância. A consultora Milena Maciel de Carvalho alertou ainda para riscos respiratórios e cardiovasculares associados ao uso prolongado. A entidade recomenda que quem nunca experimentou não inicie o consumo e que quem já fuma procure parar imediatamente.



