
Os economistas consultados pelo Banco Central voltaram a piorar as projeções para a economia brasileira em 2026. Segundo o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (1º), a expectativa para a inflação subiu de 5,07% para 5,09%, registrando a 12ª revisão consecutiva para cima e mantendo o índice acima do teto da meta estabelecida pelo governo.
A nova rodada de previsões ocorre em meio à escalada dos preços internacionais do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, fator apontado por analistas como uma das principais fontes de pressão inflacionária para os próximos meses.
Inflação segue como principal preocupação
O dado mais relevante do levantamento é justamente a deterioração contínua das expectativas para os preços. Há três meses, a projeção para o IPCA de 2026 era inferior a 4,7%. Desde então, as revisões se sucedem semanalmente.
Para 2027, o mercado também elevou a estimativa, que passou de 4,01% para 4,02%, permanecendo igualmente acima da meta perseguida pelo Banco Central.
Mercado melhora previsão para o PIB
Enquanto a inflação sobe, a expectativa para o crescimento econômico apresentou leve melhora.
Apesar da revisão positiva, o crescimento esperado segue considerado modesto e abaixo da projeção do governo federal, que trabalha com uma expansão de 2,3% para a economia brasileira.
As projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas.
O mercado espera que os juros encerrem 2026 em 13,25% ao ano, patamar considerado elevado para padrões históricos. Para 2027, a expectativa segue em 11,25%, enquanto para 2028 permanece em 10%.
A manutenção dessas previsões reflete a avaliação de que o Banco Central precisará manter uma política monetária restritiva diante da resistência da inflação.
Dólar tem leve revisão para baixo
O Focus também mostrou uma pequena melhora nas expectativas para o câmbio.
A projeção para o dólar ao final de 2026 caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16. Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,26 para R$ 5,25. Já para 2028, o mercado manteve a previsão em R$ 5,30.
O que dizem as projeções
Os números do Focus mostram um cenário de crescimento moderado, inflação persistente e juros elevados para os próximos anos. O principal sinal emitido pelo mercado é que a trajetória dos preços continua preocupando mais do que o desempenho da atividade econômica, especialmente após a sequência de revisões que colocaram a inflação projetada novamente acima da meta do Banco Central.




