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Paz entre sócios vai ampliar investimentos da Usiminas
A Usiminas reverteu um prejuízo de R$ 576,8 milhões, em 2016, para um lucro de R$ 315,1 milhões no ano passado. Mas essa não foi a notícia mais comemorada nesta sexta-feira (9). O ponto alto para a siderúrgica foi a consolidação do acordo de paz entre os acionistas japoneses e italianos, que, desde 2014, travavam a maior batalha societária já vista no Brasil. O comunicado feito ao mercado na noite de quinta-feira, por meio de fato relevantes, deixou a divulgação dos resultados de 2017 ainda mais positiva. O presidente da Usiminas, Sergio Leite, comemorou e destacou que, em 2018, o volume previsto para investimentos vai mais do que dobrar, saindo de R$ 217 milhões no ano passado, para R$ 500 milhões.
“O dia 8 de fevereiro é uma data marcante e dá início a novos tempos. Vamos poder concentrar toda nossa energia na construção de resultados e, sem dúvida, isso vai refletir no desempenho”, destaca o presidente da Usiminas, Sergio Leite.
Já indicado para permanecer no comando, Leite é consenso entre a Nippon Steel e a Ternium para dar início ao novo ciclo da empresa. Depois de quatro anos de desavenças, com direito a uma enxurrada de ações judiciais, a briga só chegou ao fim graças ao combinado de ambas as partes se alternarem na presidência da empresa, a cada quatro anos. Essa proposta já havia sido feita no fim de 2016 pela Nippon, mas a Ternium disse que só aceitaria se houvesse uma cláusula de saída que, em caso de discordância, daria o direito de uma parte comprar a outra. Nesse caso, quem não aceitou foram os japoneses.
Desde então, seguiram discutindo a relação. Um ano depois, os dois sócios resolveram ceder para manter a união e a proposta foi aceita. Ficou a cláusula de saída e ficou a alternância. A diferença é que a troca do comando foi ampliada de dois para quatro anos.
Ao fim de cada período, um acionista indicará o nome do presidente da companhia e o outro vai determinar o presidente do conselho de administração. Leite é indicação da Ternium. Para o posto de chairman, a Nippon indicou Ruy Hirschheimer. A primeira rodada do acordo de paz vai começar em maio deste ano, quando haverá eleição da diretoria, quando começam a contar os quatro anos para a presidência de Leite, que encerrará o mandato atual iniciado em 2016. “Já a cláusula de saída terá vigência após quatro anos e meio. É um instrumento que, na verdade, nenhuma parte espera usar”, afirma Leite.
Tanto a Nippon quanto a Ternium se comprometeram a abrir mão de todos os processos judiciais que uma tem contra a outra. As ações começaram com o estopim da briga, em 2014, quando o presidente argentino Julián Eguren foi destituído.
Trabalhadores
Sindipa. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Geraldo Magela, diz que o fim da briga é positivo e já deveria ter ocorrido. “Mas o impacto é para os acionistas e investidores”.
Pagamento a credores na pauta
Com um presente mais estável, as previsões para o futuro da Usiminas estão mais otimistas. Mas a empresa ainda paga as contas de um passado complicado, quando precisou renegociar dívidas com credores. No dia 15 de março, terá que pagar US$ 100 milhões a eles. Segundo o presidente da companhia, Sergio Leite, faz parte de um plano que está indo bem, com antecipação do pagamento de parcelas que deveriam ser quitadas em 2019.
A siderúrgica encerrou o ano com um ebitda ajustado consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,2 bilhões, contra R$ 660,4 milhões do ano anterior. “É o segundo melhor resultado desde 2009”, comemora Leite. Segundo ele, a retomada de investimentos para 2018 já está garantida, embora não haja grande projetos. A reativação do alto-forno da usina de Ipatinga, que está desligado desde 2015, está confirmada para abril deste ano. “Vai gerar 120 empregos. O investimento foi de R$ 80 milhões”, diz.
Votos são renovados pelo bem da união
Feitas as pazes, o casamento entre japoneses e italianos no comando da Usiminas vai continuar e, segundo analistas, o acerto terá bons reflexos para o mercado. Em caso de novas brigas, a cláusula de saída vai facilitar a separação. “Não casamos pensando em divórcio. Mas, se acontecer, esse mecanismo impede que aja brigas”, destaca o diretor para as Américas da Nippon Steel, Kazuhiro Egaw.
Segundo ele, o acordo com a Ternium permite que a Usiminas possa melhorar a lucratividade. “Foi traçada uma nova linha de largada. A Usiminas foi colocada em primeiro lugar”, diz. Por meio de nota, a Ternium disse que, conjuntamente com a Nippon, está comprometida em avançar com a melhora da competitividade e do valor corporativo da Usiminas.
A Previdência Usiminas, integrante do grupo de controle da empresa e detentora de 4,84% do capital votante, disse, em nota, que “acredita que a decisão contribuirá significativamente para a estabilidade da gestão da companhia e melhoria das práticas de governança, fundamentais para o crescimento da empresa e para a geração de valor a todas as partes interessadas”.
Segundo o professor de economia do Centro Universitário Newton Paiva, Cleyton Izidoro, o acordo traz mais tranquilidade para funcionários e para a atuação da empresa. “Com o acordo, tendo um direcionamento definido, sem as trocas constantes de presidente, as chances da companhia ter resultados melhores aumentam. Até os funcionários podem trabalhar com mais tranquilidade”, afirma. (Juliana Gontijo/QA)