Blog Marcus Vinicius IsaacOpiniãoPolíticaPrefeituras

Um milhão de seguidores, mas e a realidade de Anápolis?

O prefeito Márcio Corrêa parece cada vez mais encantado pelos números das redes sociais. A comemoração pela marca de 1 milhão de seguidores no Instagram foi tratada como um grande feito político, quase como se representasse um certificado de aprovação popular. Mas a realidade costuma ser menos generosa do que os algoritmos.

A recente live promovida pelo prefeito expôs uma contradição difícil de ignorar. Apesar do impressionante número de seguidores, a transmissão reuniu um público pífio, distante da grandiosidade propagada nas redes. O episódio reforça uma lição antiga da política: seguidores não são necessariamente apoiadores, visualizações não significam participação e curtidas não substituem a confiança da população.

Existe uma diferença enorme entre a popularidade digital e a realidade das ruas. Enquanto a gestão celebra métricas virtuais, milhares de anapolinos seguem convivendo com problemas concretos que afetam seu cotidiano. A saúde pública, um dos setores mais sensíveis da administração municipal, atravessa um momento que gera preocupação e insatisfação entre usuários do sistema.

Quem depende do atendimento público não quer saber quantos seguidores o prefeito conquistou na internet. O cidadão quer consultas, exames, medicamentos, atendimento digno e respostas rápidas para suas necessidades. O paciente que enfrenta dificuldades para acessar serviços de saúde não encontra alívio em números de engajamento digital.

A política moderna exige comunicação eficiente, e não há nada de errado em utilizar as redes sociais para dialogar com a população. O problema surge quando a imagem passa a receber mais atenção do que os resultados. Governar não é disputar audiência. Governar é resolver problemas.

A obsessão por números virtuais pode criar uma bolha perigosa para qualquer gestor. Cercado por curtidas e comentários favoráveis, corre-se o risco de perder contato com as demandas reais da cidade. E a história mostra que eleições, aprovação popular e reconhecimento público continuam sendo decididos pela experiência concreta das pessoas, não pelos relatórios das plataformas digitais.

Anápolis precisa de menos celebração de métricas e mais entrega de resultados. Afinal, seguidores podem inflar o ego de um governante, mas não diminuem filas, não melhoram o atendimento e não resolvem os desafios que a população enfrenta diariamente.

No fim das contas, a pergunta que fica é simples: o que pesa mais para o cidadão comum, um milhão de seguidores no Instagram ou uma saúde pública que funcione de verdade?

Marcus Vinicius Isaac                                                                                                                                             Jornalista- Editor

Related Articles