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Oposição síria boicotará encontro de Sochi
A oposição ao regime de Bashar al Assad anunciou nesta sexta-feira à noite que boicotará o congresso sobre a Síria organizado pela Rússia em Sochi, após uma infrutífera rodada de negociações, supervisionada pela ONU em Viena.
O CNS anuncia seu boicote à conferência de Sotchi à qual a Rússia nos convida nos dias 29 e 30, informou em sua conta do Twitter, em árabe, o Comitê para as Negociações Sírias (CNS), que reúne os principais grupos de oposição ao regime de Assad.
O CNS dará no sábado de manha uma entrevista coletiva em Viena para explicar sua decisão, depois de dois dias de negociações com a ONU na capital austríaca que, como as oito sessões anteriores celebradas desde 2015, não permitiram qualquer avanço significativo.
Compartilho a imensa frustração de milhões de sírios, no interior e no exterior do país, diante da falta de uma solução política até a data, reconheceu, visivelmente abatido, o emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que supervisiona o processo.
Mais uma vez, não houve nenhum encontro direto entre a oposição e os representantes do regime, e os delegados falaram separadamente com Mistura.
Para participar no encontro em Sochi, o CNS exigia primeiro que Damasco fizesse concessões durante as negociações em Viena. A ONU havia decidido centrar essas negociações na abordagem constitucional, que é um assunto menos sensível do que a questão das eleições, que obrigaria a debater o futuro do presidente Assad.
No entanto, o negociador do regime, Bashar al Jaafari, acusou, nessa sexta-feira, Washington e seus aliados franceses, britânicos, sauditas e jordanianos de matar o processo político em um rascunho de projeto que prevê, entre outras coisas, uma redução dos poderes do presidente sírio.
É humor negro que países que participaram no banho de sangue do povo sírio pretendam falar de uma solução política e do futuro da Síria, declarou à imprensa.
Mistura lembrou o compromisso da ONU com a aplicação completa de sua resolução 2254, que prevê a adoção de uma nova Constituição e a organização de eleições livres.
– Participação da ONU –
Paralelamente às negociações auspiciadas pelas Nações Unidas, a Rússia promove desde o ano passado negociações das quais participam Irã e Turquia.
Nesse contexto, a Rússia convidou aproximadamente 1.600 pessoas a um congresso de paz na cidade de Sochi, no mar Negro, para fechar um acordo sobre uma Constituição para a Síria do pós-guerra.
Al Jaafari deixou claro que prefere esse marco para debater o futuro de seu país.
Os países ocidentais observam a iniciativa com desconfiança, já que temem que Moscou tente torpedear as negociações promovidas pela ONU para conseguir um acordo favorável para seu aliado, o presidente Assad.
O anúncio do boicote do CNS e a possível ausência das potências ocidentais e da ONU abalam a legitimidade do encontro de Sochi.
Vou informar ao secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre os resultados da reunião de Viena. Ele decidirá a resposta que será dada ao convite para participar em Sochi, disse Mistura.
Se a ONU e a verdadeira oposição (…) não comparecerem, Sochi será um fracasso, opinou uma fonte diplomática ocidental.