
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou o colega de Corte e relator Alexandre de Moraes, enquanto lia seu voto no julgamento do núcleo crucial da trama golpista, nesta quarta-feira (10). Em dado momento, ele fez referência ao ministro, pouco antes de beber água, e a situação tornou o clima tenso nos bastidores da sessão.
“Não vou citar nome dos colegas, acho deselegante”, afirmou Fux, pouco antes de dar um gole d’água.
Logo após a fala do ministro, risadas de nervoso, baixas, ecoaram na sessão, assim como reações pequenas de tensão. Quando veio a frase, Moraes limitou-se apenas a encará-lo de volta.
O comportamento de Fux casa com a narrativa que bolsonaristas tentam emplacar, quando pedem a anulação da delação do tenente-coronel Mauro Cid na esperança de que isso suspenda o julgamento.
A divergência de Fux é clara, principalmente quando posta ao lado do voto de Moraes, e já havia sido sinalizada na última sessão, ocorrida na terça (9).
Ontem, ao analisar – e derrubar – os pedidos das defesas pela nulidade do processo, Moraes foi interrompido por Fux que se antecipou dizendo que vai se contrapor ao entendimento do relator.
“Presidente, apenas pela ordem, vossa excelência está votando as preliminares, eu vou me reservar o direito de voltar a elas na oportunidade em que eu vou votar. Porque desde o recebimento da denúncia, por uma questão de coerência, eu sempre ressalvei vencido nessas posições”, afirmou Fux.
Moraes rebateu afirmando que “todas essas preliminares até agora que eu me referi, todas foram votadas por unanimidade”.
O relator, então, lembrou que Fux foi voto vencido no pedido das defesas de que o caso deveria ser julgado pelo plenário da corte.
Fux também já criticou o acordo de delação de Mauro Cid, que foi ouvido por nove vezes pelos investigadores. Embora tenha votado contra o pedido de anulação da delação, feito pelas defesas, Fux criticou a quantidade de vezes que o delator foi ouvido.
Com Agência de Notícias/Revista Fórum/ Edição-Goiás Em Tempo
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