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Caminhada reúne centenas em defesa da vida e contra aborto, em Anápolis

Nem o intenso calor impediu que centenas de pessoas saíssem às ruas, nesta quinta-feira, 28, na celebração dos Santos Inocentes

A celebração da memória das crianças de até dois anos, consideradas mártires, mortas por Herodes, na época do nascimento de Jesus Cristo, o protesto contra as propostas que tramitam no Congresso Nacional com foco na descriminalização do aborto. Essas são as motivações da Marcha dos Santos Inocentes, ato tradicional de todos os anos da comunidade cristã no Brasil [coordenada pela Igreja Católica], realizada na manhã desta quinta-feira, 28, na região central da cidade.

A caminhada teve a participação de centenas de pessoas, de várias denominações religiosas, com início às 9 horas. As pessoas saíram a partir da Avenida Goiás, em frente à Catedral do Bom Jesus. A marcha passou pela Rua General Joaquim Inácio, chegou à Praça Americano do Brasil e retornou à Catedral pela Rua Engenheiro Portela. Ao longo do trajeto os manifestantes receberam apoio de pessoas e trabalhadores das lojas situadas na região central. Agentes da CMTT e a Polícia Militar deram apoio.

Em uma carta divulgada em 26 de dezembro, assinada pelo bispo diocesano Dom João Wilk, as comunidades cristãs católicas e a população em geral foram convidadas a participar da marcha. Segundo padre Luiz Carlos Lódi da Cruz, um dos fundadores do Movimento Provida em Anápolis, a marcha teve organização sob a responsabilidade da Associação Nacional das Mulheres pela Vida, com apoio total da Cúria Diocesana de Anápolis.

O bispo auxiliar, dom Dilmo Franco de Campos [que participou de toda a caminhada e presidiu a Missa de encerramento do ato, celebrada na Catedral do Bom Jesus, disse que o intuito da Marcha dos Santos Inocentes é “despertar aqueles que dormem”. Segundo ele, é um chamamento às pessoas para que lutem pelas causas do bem. “Muitos gastam seu tempo com coisas nocivas ao ser humano, mas a Igreja segue os passos de Jesus, que é fazer o bem por onde passar, para que todos tenham direito à vida e à dignidade”, disse dom Dilmo.

O dia 28 de dezembro, comentou o bispo auxiliar, quase sempre cai em um dia de semana. É compreensível, segundo ele, a dificuldade às vezes de as pessoas participarem da marcha. Entretanto, ressaltou, é válido o esforço para dispor de apenas uma hora do dia para participar de uma “causa nobre, tirar o tempo em defesa do outro, não apenas de interesses próprios ou econômicos ou sociais, mas, principalmente, em defesa dos inocentes, que não tem voz nem vez, e nós somos a voz deles”.

 

DIREITO À VIDA

A vida é um direito sagrado, afirma padre Luiz Carlos Lódi, pois, explica, tem relação direta com o Criador, “e não pode ser violada sob qualquer motivo, ninguém pode atribuir a si mesmo o direito de destruir diretamente um ser humano inocente, o que ocorre por meio da eutanásia e do aberto”. Segundo ele, as crianças são quem mais refletem a imagem de Deus.

“O principal adversário não são as fundações internacionais que financiam grupos feministas ou partidos favoráveis ao aborto, ou aos inocentes úteis que gritam em favor do aborto, nosso adversário principal é o próprio demônio, que investe contra as crianças”, disse padre Lódi.

 

HISTÓRIA

No Brasil, segundo Padre Lódi, a tradição da Marcha dos Santos Inocentes teve início no Rio de Janeiro. Segundo ele, em 28 de dezembro a Igreja se veste de vermelho, por causa do sangue dos mártires massacrados pelo rei Herodes, na tentativa de matar Jesus, que havia nascido por aquele tempo. “São mártires que deram testemunho de Cristo pelo sangue derramado. Belém deve se orgulhar daqueles pequeninos que foram mortos injustamente, pois foi um sangue de benção, de vida”, historiou o sacerdote.

Em Anápolis, disse padre Lódi, a Marcha dos Santos Inocentes acontece desde 1989, instituída pelo então bispo diocesano dom Manoel Pestana Filho. Segundo informações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Festa dos Santos Inocentes acontece desde o Século IV e foi confirmada Tempos depois pelo Papa São Pio V. Ocorre no contexto da vivência do tempo da Oitava de Natal.

 

“Ato pela vida e contra o aborto é apartidário”

Entre os objetivos principais da Marcha dos Santos Inocentes está a manifestação contra as ações políticas que buscam descriminalizar ou mesmo legalizar a prática do aborto no Brasil. Está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 441, que descriminaliza a prática de aborto voluntário até a 12ª semana de gestação.

A ministra Rosa Weber, relatora do processo, declarou voto favorável à descriminalização. Mas um pedido de destaque do ministro Luís Roberto Barroso travou o julgamento no plenário virtual e agora será votado no plenário físico do STF. Padre Luiz Carlos Lódi disse que Barroso é “abertamente favorável” à matéria e teme que, a qualquer momento, o coloque em pauta para votação.

O bispo auxiliar, dom Dilmo Franco disse que a Marcha dos Santos Inocentes e a cruzada contra o aborto é um ato “apartidário, é uma ação bem anterior a todos os partidos que conhecemos”. Segundo ele, muitos partidos [de um lado ou de outro] pegam carona nesse tema, na tentativa de ganhar votos, entre outras vantagens. “Já vimos candidatos que, antes da eleição, se proclamavam contra o aborto. E, depois, já eleitos, não têm mais essa voz e mudam de lado”, comentou.

Por isso, segundo ele, é importante que as pessoas se somem à essa luta, engrossem o movimento. “Pois sabemos que muitos políticos não temem a Deus. Temem, sim, perder a popularidade. Temem a reação popular maciça”, disse. Dom Dilmo alerta a sociedade para que fique atenta às pessoas que usam o Movimento Provida com interesse “próprio ou eleitoreiro”. Segundo ele, a luta pela vida vem antes de qualquer partido.

O bispo auxiliar da Diocese de Anápolis reafirma que as ações são apartidárias, “nossa política é a política do céu, da vida eterna”. Diz ainda que as ações “não são contra a pessoa de ninguém, pois todos são filhos de Deus, mas, sim, contra ideias e opiniões que são nocivas à dignidade do ser humano”. Dom Dilmo acredita que é pela convicção demonstrada nessa manifestação que a caminhada contra o aborto tem a participação de cristãos católicos, protestantes, espíritas, “pois todos são provida, independente de religião ou segmentos”.

Com DM Anápolis

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