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‘Bora comprar um jatinho’ e deputada com ‘70% da entidade’: as mensagens apreendidas pela PF sobre fraudes no INSS
Parlamentar, advogada e empresário do Ceará foram alvos de uma fase da Sem Desconto nesta terça-feira

A Polícia Federal identificou mensagens e planilhas que apontam como ocorria o suposto desvio de dinheiro das cobranças indevidas feitas a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O esquema é investigado na Operação Sem Desconto, que teve uma nova fase deflagrada nesta terça-feira.
Entre as provas elencadas pela PF, estão diálogos sobre a compra de um jatinho, o pagamento a servidores públicos sob a alcunha de “comissão Brasília BSB” e menções à deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), que “queria ficar com 70%” de uma entidade investigada.
A deputada foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. A PF chegou a pedir a prisão dela, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu por uma medida mais leve, o uso de tornozeleira eletrônica.
O ministro, por outro lado, determinou a prisão preventiva da advogada Cecilia Rodrigues e do empresário Natjo Pinheiro, que, segundo as investigações, prestavam contas à parlamentar e operacionalizavam o suposto esquema. Autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, as ações foram cumpridas no Ceará, onde eles moram.
Em uma mensagem interceptada, Natjo reclama que estava ficando sem dinheiro e que a deputada queria se apossar de uma entidade envolvida no caso do INSS.
“Estou ficando sem grana. A Gorete quer ficar com 70% da entidade”, diz ele. Em outras conversas, ele diz que ela estaria “ganhando 1,5 milhão” e seria “mais legítimo” repassar recursos à deputada por meio de escritórios de advocacia, com o objetivo de “preservar as coisas”.
Segundo a PF, a aquisição de uma aeronave e uma BMW X6 por parte de Natjo reforçam o suposto envolvimento do empresário no esquema.
A advogada Cecília, por sua vez, foi flagrada em uma mensagem falando sobre adquirir um jatinho — o que, segundo a PF, aponta a sua participação no “fluxo financeiro proveniente dos descontos fraudulentos”.
“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila? Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?”, diz ela a um interlocutor.
Na representação, a PF diz que há “indícios suficientes de autoria” por parte dos três alvos da operação de hoje. Segundo os investigadores, eles tiveram envolvimento “direto” na assinatura de termos de associação falsos, coordenação de pagamentos “ilícitos”, recebimento pessoal de valores e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, a deputada atuava como “articuladora política junto a órgão públicos” e recebeu valores por meio de “interpostas pessoas e empresas de fachada”. A PF descreve que ela determinava a servidores do INSS e Dataprev “agilidade” na aprovação das entidades associativas ligadas ao grupo.
Já Cecilia e Natjo estariam por trás de associações que firmaram acordos fraudulentos com o INSS e são suspeitas de desviar dinheiro de aposentados e pensionistas por meio dos descontos nos benefícios. De acordo com a PF, os diretores dessas entidades atuavam como “laranjas” do trio.



