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Gestão ambiental em Anápolis precisa valorizar o Cerrado, diz ambientalista a Jornal
Antônio El-Zayek aponta que a importação fez mal à cidade, mas município tem avanços rumo à sustentabilidade

Localizada no centro do Cerrado brasileiro, Anápolis se desenvolveu economicamente como poucas cidades, porém, cada vez mais tem se tornado necessário debater soluções sustentáveis para o futuro.
No país das palmeiras, conhecido como “Pindorama”, em muitos momentos da história desmatar o que era nativo para importar plantas estrangeiras como a Washingtonia, pareceu ser a melhor solução.
De acordo com o consultor ambiental Antônio El Zayek, a partir dos anos 1970, tudo que era originário era “desclassificado” e chamado de mato, e o que era estrangeiro era considerado bonito.
“A gente importa uma cultura branca europeia e qualquer planta que viesse fora era importante, o pinheiro, por exemplo. Até hoje a gente usa algumas expressões como “limpar o cerrado”, como se ele fosse uma sujeira”, disse, em entrevista especial ao DM Anápolis.
Segundo ele, não se trata apenas de Anápolis, mas de diversas cidades brasileiras que seguem o paisagismo francês de Champs-Élysées, com estrutura palaciana e “pingos-de-ouro”.
“A gente tem um complexo de que o que é nosso é ruim e o que vem de fora é bonito. A relação da cidade com o meio ambiente é uma relação de negar o próprio ambiente e copiar as coisas”, ressaltou.
O consultor lembra que, quando foi feito o aterramento da região do Fórum e do Centro Administrativo, que já foi um brejo, políticos da época afirmavam que com a tecnologia seria possível construir em qualquer lugar.
“Mas a natureza cobra aquele espaço de volta e a gente passa a ver grandes inundações em todas as cidades do Brasil, não é uma coisa peculiar de Anápolis. A gente desprezou o ambiente, agora precisamos entender como ele funciona para viver bem”, destacou.
Segundo o especialista, o meio ambiente deve estar sempre relacionado à qualidade de vida das pessoas. Com diversas tecnologias e estudos, a capacidade de avançar no debate e nas soluções para os problemas atuais, como os alagamentos, existe.
“A gente precisa usar esse potencial de crescimento para reconstruir, temos a Lei do empreendimento sustentável e o programa Pró Água que foram pioneiros no Brasil. Anápolis é uma das primeiras cidades a cobrar que área verde deve ser entregue verde e não marrom”, exaltou.
“Nós temos que olhar as coisas de forma positiva, o loteador, ou empresário, ajuda a criar a cidade, não é um inimigo, cabe ao poder público negociar para o coletivo, cobrar que tenha áreas verdes, galerias drenantes, qualidade de vida e preservação das nascentes”, concluiu.
Matéria DM Anápólis
Link Original https://www.dmanapolis.com.br/noticia/57097/gestao-ambiental-em-anapolis-precisa-valorizar-o-cerrado-diz-ambientalista




