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Última noite de folia no Sambódromo do Rio de Janeiro

Os últimos seis desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro começaram no Sambódromo com um dilúvio de decibéis e purpurina, para encerrar um Carnaval bastante politizado.

A primeira escola a entrar na Sapucaí é a Unidos da Tijuca, que será seguida por Portela, União da Ilha, Salgueiro, Imperatriz e Beija-Flor.

Como no dia anterior, cada escola de samba desfilará por uma hora e 15 minutos com 3.000 integrantes, ao som de suas baterias, diante de 72 mil espectadores.

Entre as seis últimas escolas de samba que devem desfilar esta noite, destaque para a Beija Flor, que desfilará sob o estandarte da contestação.

Ela escolheu retratar um Brasil vítima dos monstros da corrupção, com suas malas de dinheiro circulando e seus políticos e empreiteiros jogados na prisão. Trará um rato gigante, uma alegoria dos políticos brasileiros, mergulhados até o pescoço em escândalos de corrupção.

O desfile da Beija Flor – que vai encerrar a festa – também tem gerado grande expectativa devido à participação da famosa drag queen Pabllo Vittar, carregando a bandeira da denúncia da intolerância sexual.

Sua experiência na Passarela do Samba na noite anterior a emocionou. Estou realizando um sonho. Estou muito emocionada, declarou a artista.

Se os foliões do Carnaval do Rio podem esquecer momentaneamente a violência incontrolável e a crise que deixou 12 milhões de desempregados no país, a festa é uma oportunidade para expressar seu descontentamento com seus líderes.

Assim, as escolas da primeira noite de desfiles do Grupo Especial trouxeram o presidente Michel Temer, encarnado por um vampiro corrupto, e o prefeito Marcelo Crivella representado por um boneco de Judas.

Crivella foi um dos alvos principais, criticado por cortar pela metade a verba destinada às escolas de samba.

Ontem, o prefeito publicou um vídeo no Facebook anunciando que, naquela mesma noite, viajaria para a Europa, confirmando que, assim como no ano passado, não assistiria a nenhum desfile na cidade.

Já o desfile da Mangueira, que aconteceu de madrugada, teve o tema Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco, e proclamou, provocante: Pecado é não brincar o carnaval!.

Sobre um de seus carros aparecia um boneco de Crivella como o Judas que é malhado no Sábado de Aleluia.

Outro carro exibia uma representação do Cristo Redentor com um cartaz em que se lia O prefeito não sabe o que faz – uma referência ao Cristo proibido no histórico desfile de 1989 da Beija-Flor, do carnavalesco Joãosinho Trinta.

É a nossa resposta para este prefeito que corta o nosso orçamento e tenta acabar com a nossa felicidade, explicou à AFP Helton Dias, um dos componentes da Mangueira.

O prefeito do Rio não foi o único a ser criticado. A escola Paraíso do Tuiuti mirou diretamente na presidência do país.

Sou um vampiro que representa o presidente da república, explicou o professor de história Léo Morais, 39, que tinha o rosto pintado de branco para encarnar a versão carnavalesca de Michel Temer, que enfrenta acusações de corrupção.

O protesto é um caminho que as escolas retomam, porque têm um papel social: reivindicar a voz das pessoas mais pobres, disse Morais à AFP.

No ano passado, o carnaval carioca coroou duas escolas, que terminaram empatadas: Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel. As normas de segurança foram reforçadas este ano, e os motoristas dos carros alegóricos tiveram que submeter, pela primeira vez, a testes para detectar o teor de álcool no sangue.

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