Manchete
Sírio Miguel presidente do PODEMOS,detona a Câmara Municipal de Anápolis por alugar prédio em local nobre
Ex-vereador diz que na administração pública da cidade,'truco é jogo de pobre e os atuais barões da política Anapolina, mesmo sendo amantes do carteado, são adeptos do bom e velho poker! Razão pela qual, a obra inacabada da Câmara Municipal, se transformará num verdadeiro “Royal Flush” ',disse

O ex-vereador Sírio Miguel, emitiu uma nota nesta terça-feira, 21, questionando a mesa diretora da Câmara Municipal de Anápolis, que na última sexta-feira 17, anunciou um contrato milionário para locação de um prédio no bairro Jundiaí(o mais nobre da cidade), por 10 anos, chegando ao valor de quase 10 milhões nesse período, e sem qualquer recompensa ou preferência de compra ao final deste contrato.
Sírio não poupou nenhum vereador,sobrando até para o atual prefeito Roberto Naves, conhecido na cidade como parceiro do atual presidente da Câmara Leandro Ribeiro, no jogo de Pocker.
Veja a Nota :
NOTA A POPULAÇÃO ANAPOLINA
Anápolis, 21 de abril de 2020, Dia de Tiradentes, Ícone Político Brasileiro.
Tendo em vista a divulgação da notícia de que a atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Anápolis anunciou a mudança da sede do Poder Legislativo para outro local, a Comissão Executiva Municipal do PODEMOS, vem a público se manifestar nos seguintes termos:
A QUEM INTERESSA A NOVA SEDE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ANÁPOLIS?
Há décadas a sociedade Anapolina debate a necessidade de uma sede digna capaz de abrigar o Poder Legislativo Municipal.
Para se ter uma ideia, o atual prédio, abriga nossos vereadores desde o início da década de 1980 quando o Poder Legislativo Municipal, deixou um imóvel improvisado para se instalar também de forma improvisada, no local onde até então era a sede do Poder Executivo.
Esta solução funcionou por aproximadamente 20 anos. Ali, deu seus últimos suspiros de funcionalidade, quando sua garagem foi transformada em Plenário. Tirando o inconveniente das constantes enchentes podemos considerar que entre o ideal e o possível, naquele momento, foi uma medida necessária e oportuna. Já que na década de 1990, o duodécimo como fonte de recursos necessários à manutenção e que em tese serve para garantir a independência política dos parlamentares, ainda se consolidava, não só em Anápolis, mas por todo Brasil.
Assim, desde os anos 2000, se discute a necessidade de uma nova Câmara Municipal em nossa cidade. Algumas idéias foram apresentadas desde então, no entanto sem sair do papel. Até que em 2009, criamos um fundo financeiro em conjunto com o Poder Executivo para a realização dessa importante e tão sonhada obra e assim foi feito. Em pouco tempo, já tínhamos recursos suficientes para seu começo. Enfim, um passo concreto para se resolver o problema. Dessa forma, no momento que achou conveniente, o Poder Executivo, a iniciou.
Como todos sabem, a obra está inacabada, gerando um prejuízo de milhões de reais aos cofres públicos. Só paralisada está há mais de quatro anos e provavelmente permanecerá assim até as próximas eleições, quando será usada como carta na manga durante os debates eleitorais, um verdadeiro “ZAP”! ou melhor “ZAP”, não! Pois, truco é jogo de pobre e os atuais barões da política Anapolina, mesmo sendo amantes do carteado, são adeptos do bom e velho poker! Razão pela qual, a obra inacabada da Câmara Municipal, se transformará num verdadeiro “Royal Flush”
Acostumados a quebrar a banca, agora, querem quebrar a cidade o que sem dúvida, faz das autoridade responsáveis pela solução, tão culpados quanto àqueles que deram origem ao problema. Todavia, esperamos que esta questão seja resolvida o mais rápido possível, com o devido ressarcimento ao erário e logicamente, com punições exemplares a todos os responsáveis.
Nos últimos dias, acompanhamos a notícia de que a atual Mesa Diretora apresentou como solução deste problema, a locação de um imóvel localizado na região do bairro Jundiaí, com um custo mensal de 80 mil reais, por um período de 10 anos. Ou seja, após duas legislaturas e meia, novamente estaremos discutindo esta mesma questão, se lembram da transformação da garagem em plenário? Pois é! Àquela que Conseguiu atender as necessidades da época, sendo útil e funcional, exatamente pelo mesmo período de tempo, apenas não foi apresentada com pompa e não custou nada que se aproxime de 10 milhões de reais. Outros tempos!
Considerando-se que tal “solução”, só seria razoável caso no final do contrato o imóvel fosse incorporado ao patrimônio público, não sendo assim, fica a pergunta: A quem interessa a nova sede da Câmara Municipal de Anápolis?
Outro aspecto importante que também merece ser analisado é a localização do imóvel escolhido. Numa região nobre da cidade rodeado por luxuosos condomínios, da pra se imaginar, seus moradores descendo para suas caminhadas matinais no Parque Ipiranga ou no calçadão do Colégio São Francisco, trajando roupas esportivas de marca e seus tênis caros, adentrando as dependências da Câmara Municipal para acompanhar mais uma Sessão Ordinária, em que se debate a qualidade do transporte público (que é péssima, por sinal!) ou quem sabe, batendo de porta em porta nos gabinetes, pedindo ajuda para se conseguir um emprego, ou mesmo pedindo providências em relação ao lixão na saída do bairro Dom Felipe, ou a invasão do Parque Laranjeira, ou mesmo os buracos nas vias do bairro Recanto do Sol, ou quem sabe até mesmo sobre as ruas escuras do Bairro das Bandeiras. Quem sabe questionem o porquê de nos últimos anos não se construir mais casas populares em Anápolis, por que também não se fala mais em construção de creches. Nossa esperança é que isso aconteça, pois achamos muito difícil que moradores das periferias freqüentem este ambiente, devido ao distanciamento intencional da população que mais precisa e espera da atenção do poder público.
O espaço que democraticamente foi batizado de: A Casa do Povo transforma-se, em um Castelo para privilegiados. Enfim, essa gente terá o seu “Versalles”.
Contudo, é um erro entender essa decisão da Mesa Diretora da Câmara Municipal, avalizada pelos demais vereadores, como uma ação isolada, pois não é! Ela simboliza exatamente como pensam nossas atuais autoridades públicas. Quando uma administração não consegue sequer organizar uma fila para vacinação de idosos, diante da pandemia e do pânico, vivido hoje pela população, quando um prefeito resolve prorrogar o contrato de concessão com a Saneago por mais 30 anos, virando as costas para o povo que o elegeu confiado em sua promessa de campanha de que não o faria. Quando da mesma forma permanece inerte e omisso diante da péssima prestação do serviço de transporte público da nossa cidade, isso nos dá a certeza de que nossas autoridades não estão em sintonia com o conjunto da população, não possuindo o mínimo de sensibilidade com o sofrimento do povo.
Por fim, também é de se causar perplexidade o silêncio ensurdecedor dos vereadores, especialmente aqueles que têm suas bases eleitorais em regiões afastadas ou carentes, locais que inclusive, garantiram suas eleições e eventuais reeleições, o que dizer aos moradores, do Polocentro, do Vivian Parque, do Bairro Paraíso, da Vila Jaiara, do Recanto do Sol, da Boa Vista, do Bairro de Lourdes, para explicar a opção por instalar a Casa do Povo, numa região nobre da cidade que já conta com toda atenção dos políticos e que já é servida dos principais serviços públicos.
Sem dúvida, a escolha desse local para a instalação da sede da Câmara Municipal, simboliza falta de sintonia e apreço com a população que mais necessita da presença do Poder Público, em especial do Poder Legislativo, o verdadeiro Poder do Povo que muitas vezes é a única porta que se abre à parcela mais vulnerável da sociedade.
Entretanto, esclareço aos mais obtusos que não estou criticando ou questionando a importância do Poder Legislativo Municipal, pelo contrário estou realçando a necessidade de que se aproxime cada vez mais da população. Trata-se de uma crítica a um ato administrativo, claramente lesivo à grande parcela da população, tanto do ponto de vista econômico quanto sob o critério político. Além disso, vem num momento extremamente inoportuno já que os efeitos da crise econômica, gerados pela pandemia do corona vírus, começam a ser sentidos em todos os seguimentos econômicos e diretamente na pele de cada cidadão, momento este que requer por parte das autoridades, medidas não só de contenção de despesas mais também de exemplo de moralidade como aliás já estamos vendo.
Por todas as partes parlamentares estão doando ou reduzindo parte do próprio salário como forma de se solidarizar com quem mais está aflito. Aqui, nos fazemos de surdos.
A atual realidade de apreensão econômica e social do nosso país evidencia mais uma vez, que este não é o momento para realização de uma despesa tão alta e sem o devido requisito de urgência necessário, Dessa forma nos resta mais uma vez, questionar: A quem interessa a nova sede da Câmara municipal de Anápolis?
Sírio Miguel R. da Silva
Advogado, Economista, ex-Vereador por dois mandatos ,ex-Presidente da Câmara Municipal de Anápolis no período 2009/2010, atualmente é Presidente Municipal do PODEMOS




