
Representantes de 25 países enviaram uma carta à organização da COP30 e à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) alertando para os riscos de manter integralmente a conferência em Belém. A preocupação central é com os preços exorbitantes de hospedagem na capital paraense, além de dificuldades logísticas envolvendo transporte e segurança. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
No documento, os países reconhecem os esforços do governo do presidente Lula para sediar a COP30 e valorizam a escolha de Belém, que simboliza os desafios da Amazônia frente às mudanças climáticas. Ainda assim, os signatários cobram providências imediatas. “Se a COP inteira for mesmo acontecer em Belém, essas condições precisam ser garantidas”, diz a carta. Eles destacam que participar do evento significa “poder viajar para Belém, ficar em acomodações adequadas e acessíveis, e ir ao pavilhão e voltar de forma segura e eficiente em termos de tempo, inclusive tarde da noite”.
Entre os signatários estão blocos como o Grupo de Negociadores Africanos e o Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDC), além de nações ricas como Áustria, Bélgica, Canadá, Finlândia, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça. A principal apreensão está relacionada à cúpula de chefes de Estado, que reúne o mais alto nível de autoridades e antecede as negociações centrais da COP. De acordo com a carta, nunca antes tantas delegações estavam sem saber como iriam participar do evento a apenas 100 dias do início.
A pressão internacional levou à convocação de uma reunião de emergência da UNFCCC em 29 de julho, voltada a tratar dos problemas logísticos. O governo brasileiro tem até 11 de agosto para apresentar um plano de resposta. Segundo a secretaria extraordinária da COP30, não existe possibilidade de a conferência ser realizada fora de Belém, embora soluções emergenciais estejam em curso. Entre elas, incluem-se investigações sobre práticas abusivas de hotéis, uso de Airbnb, mobilização de escolas e habitações do Minha Casa, Minha Vida, além da utilização de navios-cruzeiro para ampliar a capacidade de hospedagem.
Na carta, os países também criticam a possibilidade de compartilhamento de quartos para reduzir custos e destacam que a participação plena da sociedade civil é fundamental para o sucesso das negociações. A mensagem final é clara: “Se essas condições não forem atendidas para todos que precisam estar em nossas negociações multilaterais, não teremos chance de chegar a um resultado de sucesso”.




