Cidades

Diretor do presídio de Anápolis é exonerado após ordenar em áudios que presos não falem com advogados

Mensagens foram divulgadas em redes sociais. Nas gravações, Walney da Cunha pede a servidor que fale com os detentos que comandam as alas para não deixarem os colegas saírem das celas.

Após a divulgação de áudios em redes sociais, o diretor da unidade prisional de Anápolis, Walney Cesário da Cunha, foi exonerado do cargo, na quinta-feira (1º). Nas gravações, ele pede a um servidor que oriente presos, que supostamente lideram alas da cadeia, a dificultar o acesso de advogados a detentos (ouça acima).

“Tem que falar pros comando de ala não deixar descer, uai. Fala pros caras não deixar descer. Advogado vem aí só pra perder viagem. Aí tem que falar com os comando pros cara não deixar descer não. Eles não descem pra conversar com nós. Por que que desce pra falar com advogado? (sic)”, diz Cunha na agravação.

Em outra mensagem, o ex-diretor reforça a ordem:

“Na hora que eles chegarem aí, já avisa pros alas aí não deixar ninguém sair pra falar com os advogados à tarde não. Aí pede pra tirar o cliente e já chega descendo com a informação: ‘Infelizmente, a ala não liberou não’. Fala isso logo e acabou. Fazer esses presos jogar com a gente também. Advogado aí, dia de domingo, impossível (sic)”, ressalta Cunha.

Novo diretor da Unidade Prisional de Anápolis deve ser anunciado nesta sexta-feira (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) afirmou que um novo diretor será anunciado nesta sexta-feira (2). Em nota, a pasta informou ainda que “não pactua nem tolera comportamento inadequado como o verificado na conversa, tanto em relação à tentativa de cerceamento do trabalho dos advogados, quanto à censurável demonstração de intimidade com presos”.

De acordo com a DGAP, a diretoria “não abre mão do comportamento ético, da responsabilidade e do profissionalismo por parte de seu quadro de colaboradores”. A corporação afirma ainda que punirá, de acordo com a legislação, “quaisquer atos cometidos contra os princípios legais, morais e regimentais”.

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