
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no último sábado (3) ,um ataque em larga escala á Venezuela. Por meio das redes sociais, Trump afirmou que a operação foi bem-sucedida e que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.
Durante a ofensiva, a capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por ações aéreas e terrestres. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no território venezuelano, classificou o ataque como “vil e covarde” e pediu apoio internacional.
Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas, acusação que foi negada diversas vezes pelo presidente venezuelano. Para o analista do São Francisco News, Newton Rodrigues, os ataques vão além dos interesses exclusivos dos Estados Unidos.
“Os ataques americanos no território venezuelano são uma clara demonstração de supremacia que atende interesses de muitos países, não só dos Estados Unidos. Em todos os continentes, a atenção para mais uma ação das poderosas forças americanas, desta vez na América do Sul, resulta em variadas formas de abordagens”, afirmou.
Na avaliação do analista, a ofensiva também representa uma tentativa do governo norte-americano de se fortalecer no cenário internacional diante de insucessos na mediação de conflitos na Faixa de Gaza e na Ucrânia, guerras que Trump prometeu encerrar. “Manter a hegemonia americana na América do Sul também significa conter os avanços econômicos da China”, destacou.
A América do Sul, segundo Rodrigues, também está diretamente envolvida no tabuleiro geopolítico. “Liderados por Javier Milei, da Argentina, alguns países estão alinhados com o governo estadunidense, inclusive com a possibilidade de formação de um bloco que pode contar com a participação de até 10 países, segundo o presidente argentino”, afirmou.
O Brasil, de acordo com a análise, mantém uma postura de neutralidade e busca equilíbrio na condução da crise venezuelana, defendendo a soberania como princípio central.
“O presidente Lula é criticado pelo governo Maduro em razão do distanciamento entre os dois líderes. Para a direita brasileira, o episódio funciona como um elemento de fortalecimento das pretensões eleitorais para 2026”, explicou.
Na Europa, Rodrigues aponta que, em grande parte, lideranças de direita evitam se posicionar publicamente sobre o tema para não desagradar Donald Trump. Já setores da esquerda europeia questionam as reais intenções americanas na América do Sul.
“Na China e na Rússia, tanto Putin quanto Xi Jin Ping não apoiam os ataques americanos, mas também não demonstram ações concretas de auxílio ao governo venezuelano. Muitos temem que o episódio resulte em uma escalada belicista no cenário mundial”, acrescentou.
Ao analisar os impactos internos, Rodrigues conclui que a situação pode fortalecer a oposição venezuelana. “As tentativas da oposição ao governo ditatorial de Maduro, que é uma continuidade do projeto de Hugo Chaves, ganham força nas sombras dos ataques americanos contra embarcações que supostamente estariam a serviço do narcotráfico e, agora, com ações diretas para a captura de Maduro”.
Edição: Goiás Em Tempo
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