Últimas Notícias
Anápolis tem quarta semana seguida com mais casos de dengue que o previsto
Coordenadora de Vigilância Epidemiológica reforçou cuidados necessários e detalhou estratégias de atendimento e combate

Dias após o decreto do governo de Goiás que classifica a situação atual como emergência em saúde pública, Anápolis segue se preparando para atender todos os casos suspeitos da doença. Até a sexta semana epidemiológica foram 2.515 casos parciais registrados, dos 26.075 em todo o estado.
Na data do decreto, 02 de fevereiro, dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO) já dão conta duas mortes em território goiano. Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, Mirlene Garcia, com o documento, ações de apoio aos municípios no combate à dengue devem ser facilitadas.
“O decreto do estado vem com o objetivo de facilitar ações de apoio aos municípios. Anápolis vive neste momento uma fase de definição, de estruturação, em relação aos locais que a população vai ter atendimento em casos de dengue e também ações específicas no combate ao mosquito”, completou Mirlene.
Conforme a coordenadora, a incidência de casos na cidade é de 382 casos para cada 100 mil habitantes, na semana epidemiológica, que é a forma utilizada para analisar.
“Isso significa que eu tenho mais casos que o esperado, um aumento da incidência. Falando de casos gerais, quando a gente olha o número próprio da secretaria, 2.700 casos, ele é pelo menos 10 vezes maior, uma vez que nem todos procuram o serviço de saúde para o atendimento, isso é evidenciado pelas equipes em campo”, destacou.
Com isso, uma das estratégias encontradas foi concentrar as ações em regiões com maior incidência de casos. Nesses locais, mediante autorização, é utilizado o fumacê que, apesar de ajudar, não é a solução para vencer a dengue.
“Não é remédio, é inseticida, é veneno, é tóxico, então tem que tomar muito cuidado [com a aplicação]. Por isso que a ação da população, de virar vasinho, de tirar o lixo, de tirar a garrafa, o pneu, essas ações que vão ter resultado”, reforçou Mirlene.
“O inseticida é pulverizado no ar, faz o efeito naquele exato momento no mosquito que está voando, então, no momento em que o carro fumacê passa e as casas estão fechadas, as portas fechadas, a ação deles foi em vão, porque ficou na rua. O ideal é que, ao se ouvir o barulho, se abra o portão, as portas, porque esse mosquito está dentro das residências”, continua.
Sintomas da Dengue
“O primeiro sintoma é a febre, que vem acompanhada de dor atrás dos olhos, dor no corpo, na articulação, as manchas na pele, em geral, não aparecem nos primeiros dois dias, a tendência é que apareçam depois. Olhos avermelhados, alguns casos há relatos de quadro de diarreia, esses são os sintomas mais básicos”, destacou a coordenadora de vigilância epidemiológica.
Porém, há casos que apresentam sinais mais graves e devem ser acompanhados por um médico antes mesmo do resultado do exame. “Dor abdominal persistente, náusea, vômito, aquela sensação de tontura, o sangramento de gengiva ao escovar os dentes, quem apresenta esses sinais a nossa referência de atendimento é a UPA”, disse.
Pessoas com sintomas graves devem ir direto para essas unidades que atendem de segunda a sexta-feira, das 07h às 22h. A unidade do Parque Iracema funcionará todos os dias das 07h às 22h, assim como a do Maracananzinho, que possui o perfil pediátrico.
Segundo Mirlene, neste ano há poucos casos de zika, mas a principal preocupação segue sendo as gestantes. “A principal diferença entre Zika e dengue, de forma bem simples: na dengue o que vem primeiro é a febre, as manchas no corpo não aparecem no começo, elas vão aparecer dois, três, quatro dias depois de sintoma. Na Zika quem aparece primeiro são as manchas, depois, eventualmente, vai ter febre ou não”, afirmou.
Vacina
Inicialmente, conforme divulgado pelo Governo Federal, a vacinação contra a dengue vai contemplar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior risco de agravamento e regiões com maior incidência da doença, como Goiás. Isto porque o laboratório tem uma quantidade restrita de doses disponíveis.
“Nós estamos aguardando o encaminhamento dessa vacina [Qdenga] pelo Ministério da Saúde. Não há uma data específica para que isso possa acontecer, mas a gente acredita que depois do dia 15. Os treinamentos das nossas equipes estão acontecendo, mas sabemos que ainda não houve a distribuição e não temos previsão do quantitativo de doses a ser recebido”, concluiu.




