
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou, nesta quarta-feira (29), o primeiro caso de febre Oropouche no estado. O paciente é homem, adulto, residente em Anápolis e após investigação da Vigilância Epidemiológica do município, foi possível identificar que não se trata de caso importado, mas sim de caso autóctone, ou seja, que possui transmissão local.
Segundo a pasta, Aaequipe da Subsecretaria de Vigilância em Saúde realiza o acompanhamento do trabalho de monitoramento e investigação realizado pela vigilância epidemiológica da Regional de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis.
A confirmação laboratorial foi realizada por meio de análise do Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO). O Lacen já realiza rotineiramente o monitoramento para arboviroses como dengue Zika e Chikungunya e Oropouche. Neste ano, mais de 6 mil amostras foram analisadas para Oropouche pelo Lacen-GO, com uma confirmação recente.
O paciente deu entrada em uma unidade de saúde de Anápolis com suspeita de dengue, no dia 24 de março, com sintomas como exantema, febre e tontura. Após acompanhamento em retornos e exames realizados, foi possível confirmar o caso para febre Oropouche. O paciente apresentou sintomas leves e evoluiu para cura.
Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos da dengue, com dor de cabeça intensa, febre, dor muscular, náusea e diarreia. A transmissão do Oropouche é feita principalmente pelo inseto conhecido como Culicoides paraensis (maruim), também conhecido como mosquito-pólvora. Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no inseto por alguns dias. Quando o inseto pica uma pessoa saudável, ele pode transmitir o vírus. As equipes da Regional de Saúde e de Anápolis também identificaram a presença do mosquito maruim no município. O Brasil registrou 11.988 casos da doença em 2025, com 5 óbitos confirmados e 2 em investigação.
Um dos maiores diferenciais da febre Oropouche é a alta taxa de recidiva (reaparecimento) dos sintomas, que pode ocorrer em até 60% dos pacientes. Isso significa que após uma aparente melhora dos sintomas, que duram de 2 a 7 dias, cerca de metade dos pacientes apresenta um retorno dos sintomas como dor de cabeça intensa, dor muscular, e febre uma a duas semanas após o início da doença. É importante reforçar que, assim como a dengue, não há tratamento específico para a febre Oropouche, o tratamento é feito para os sintomas que surgem.
Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES/GO, Flúvia Amorim, é importante reforçar as medidas de proteção de ambientes, uso de repelentes e eliminação de criadouros, que no caso do maruim, incluí matérias orgânicas como folhas e restos de alimentos no chão. “O monitoramento da febre Oropouche já é realizado e a população deve estar atenta à eliminação dos criadouros e aos cuidados para evitar o contato com o mosquito”. Não há motivo para pânico, mas devemos divulgar as informações para auxiliar no diagnóstico correto, na continuidade da vigilância laboratorial e no controle dos vetores”, reforça Flúvia.
O Diretor de Vigilância em Saúde de Anápolis, Daniel Soares, informa que as equipes seguem atuando de forma integrada, com ações intensificadas entre a Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Vigilância em Zoonoses e Endemias para conter o mosquito transmissor e monitorando áreas de risco.
Entre as medidas de prevenção, é preciso evitar picadas pelo mosquito transmissor com o uso de repelentes especiais para gestantes nas áreas expostas do corpo; uso de roupas compridas de cor clara; mosquiteiros e telas ultrafinas nas residências. Segundo o Ministério da Saúde, não há, até o momento, comprovação da eficácia do uso de repelentes contra o maruim. Porém, sua utilização é recomendada, principalmente para proteção contra outros mosquitos, como, por exemplo, Culex spp (pernilongo), Aedes aegypti.




