
O “índice ideal” seria zero mortes no trânsito, porém, ainda distante dessa realidade, a Polícia Civil de Anápolis tem intensificado ações de fiscalização, investigação e repressão aos crimes viários. Como resultado, o município registra, pelo quarto ano consecutivo, queda no número de óbitos, na contramão da tendência nacional.
Em 2023, foram contabilizadas 83 mortes; em 2024, foram 62 óbitos; e, em 2025, 43 vítimas fatais.
A redução acumulada supera os 50% e coloca Anápolis entre as poucas cidades brasileiras que conseguiram cumprir a meta proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2021–2030).
Trânsito é um problema de saúde pública, diz delegado
O delegado Manoel Vanderic, titular da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito (DICT), destaca que os números indicam avanço, mas não permitem celebração.
“Eu não vou dizer a palavra comemorar, mas precisamos reconhecer o avanço que tivemos na segurança no trânsito. É um problema tão grave que foi considerado pela ONU um dos três maiores desafios relacionados à vida humana”, afirmou em entrevista ao jornalista Jonathan Cavalcante.
Segundo ele, o trânsito ainda é a principal causa de morte da população não idosa no país.
“Não é só um problema de segurança pública. É um problema gravíssimo de saúde pública. A vítima de trânsito é o paciente mais caro e de maior permanência na rede pública de saúde”.

Impunidade em queda
Entre os fatores que contribuíram para a redução, Vanderic aponta a união entre forças de segurança, Judiciário e Ministério Público, o que tem enfraquecido a sensação de impunidade.
“Aquela crença de que nada acontece está ruindo. O motorista que mata está sendo preso, denunciado, julgado e condenado. Isso tem um efeito pedagógico”, completou.
Outro ponto destacado é o combate à embriaguez ao volante. Somente em 2025, a DICT prendeu em flagrante mais de 240 motoristas por dirigirem sob efeito de álcool, número que se soma às ações da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.

43 mortes não podem ser classificadas como ‘algo normal’
Apesar da queda, o delegado reforça que 43 mortes não podem ser tratadas como algo normal.
“São 43 famílias destruídas por condutas simples, como usar o celular ao volante ou desviar a atenção. Qualquer um de nós pode cometer um crime de trânsito. Por isso, o resultado é positivo, mas a dor dessas famílias permanece”, concluiu Vanderic.
Via Rádio São Francisco de Anápolis




