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Governo de Goiás repassou R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC via OS da saúde

O governo de Goiás transferiu R$ 209 milhões para empresas controladas por Thiago Telles Batista de Souza, apontado como beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, segundo desdobramentos divulgados em 28 de maio de 2026 e noticiado pelo Metrópoles. Essas companhias atuavam como fornecedoras do Instituto de Medicina e Estudos (Imed), organização social responsável pela gestão de oito hospitais e unidades de saúde estaduais entre 2020 e 2025. O Imed recebeu R$ 1,4 bilhão do estado nesse período e terceirizou serviços hospitalares para as firmas sob suspeita, com intermediários movimentando valores em espécie para evitar o rastreamento do Banco Central e do Coaf. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo desde a Operação Falso Mercúrio em dezembro de 2024, destacam graves riscos institucionais para o poder público.

Contratações sem fiscalização adequada

A ausência de controle efetivo sobre as contratações realizadas pelo Imed permitiu que recursos públicos chegassem a empresas ligadas a atividades ilícitas como tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores. A Secretaria de Saúde de Goiás alega que a escolha de fornecedores cabe exclusivamente à entidade gestora, sem necessidade de autorização prévia, o que expõe fragilidades na supervisão de organizações sociais que administram serviços essenciais. Essa prática, mantida durante a gestão de Ronaldo Caiado, levanta dúvidas sobre a origem dos valores e a proteção do erário estadual.

A presença de empresas sob forte suspeita de crimes e movimentações atípicas no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional…

Polícia Civil de São Paulo

Riscos para a gestão de hospitais estaduais

Thiago Telles é identificado pelas autoridades como o beneficiário final do esquema que lavava recursos do PCC por meio das empresas fornecedoras do Imed. A diretora jurídica da organização social, Maria Carolina Lazarini Dias, e a própria entidade afirmam que todas as relações ocorreram em âmbito profissional, enquanto o ex-governador Ronaldo Caiado elogia o trabalho do instituto. Ainda assim, a Polícia Civil de São Paulo ressalta que a presença de intermediários suspeitos em contratos públicos compromete a credibilidade das unidades de saúde e demanda apurações mais rigorosas sobre a origem dos pagamentos.

Os novos elementos da investigação, tornados públicos em 28 de maio de 2026, reforçam a necessidade de maior transparência nas terceirizações realizadas por organizações sociais em Goiás. O volume de recursos envolvidos e as ligações apontadas com o crime organizado evidenciam falhas sistêmicas que afetam diretamente a população atendida nos hospitais estaduais.

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