
Em provocação direta, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) aponta a gestão do agora ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) como “continuidade” do que ele gerou quando comandou Goiás, por quatro vezes. Ele foi o entrevistado dessa quinta-feira (16) no programa Microfone Aberto da Rádio Difusora .
Em ritmo de pré-campanha para voltar ao governo, Perillo já deslanchou a ofensiva de comparações para afirmar que, economicamente, Goiás perdeu para outros estados no volume de investimentos.
“Na minha época, Goiás era o carro-chefe do Centro-Oeste. Trouxemos indústrias farmacêuticas, automobilísticas, povoamos Goiás de indústrias, saltamos de 17 para 220 bilhões em PIB, gerando empregos. Então, a minha candidatura vai levar a esse objetivo, olhar pelo Estado, planejar o Estado, tirar o que está no papel e colocar na prática, fazer o Estado andar de novo”, afirmou na entrevista, ao ser questionado pelo jornalista Altair Tavares, editor-geral do DG.
Ele ainda comparou com avanços de estados vizinhos. “O Mato Grosso do Sul anunciou agora uma indústria de etanol de milho de 10 bilhões de reais. O Mato Grosso, 20 bilhões de reais. Esses estados estão nos passando. Qual é a indústria que o governo atual trouxe para Goiás? Na minha época era todo dia. Foram 800 indústrias médias e grandes trazidas para cá. Isso gerou mais de um milhão de empregos”, citou o ex-governador.
“Heranças”
Perguntado se diminuiu o ritmo porque aparentemente está aparecendo menos nos últimos dias, Marconi negou e disse que tem circulado e conversado com segmentos diversos no Estado, levando a mensagem de que deixou uma herança importante para Goiás. “O plano de governo que está em Goiás hoje, que continua, ele começou em 1998, comigo, candidato a governador. Foi um plano para 30 anos e nós já estamos no 28º ano desse plano”, apontou durante a entrevista sob comando dos jornalistas Jordevá Rosa e Isadora Picolo.
Ele seguiu ainda em tom comparativo. “Ele [governo de Ronaldo Caiado] continuou tudo o que eu fiz. As policlínicas são só seis, eu tinha falado em 17, mas só ficou nas seis que eu fiz. O Vapt-Vupt é o que eu criei, os nossos governos criaram. Os programas sociais como Alunos do Bem, Estudantes do Bem, é a Bolsa Universitária, o Restaurante do Bem é o Restaurante Cidadão, a Escola do Futuro são os Itegos (Institutos Tecnológicos) que eu construí 39”, listou.
O ex-governador aponta problemas na assistência e atendimento ao público nas estruturas que foram transformadas, exemplificando com pacientes aguardando em corredores de hospitais e espera longa por serviços nos Vapt-Vupts, questões registradas nos meios de comunicação.
“O que a gente está vendo, por exemplo, 50% do povo dizendo que a saúde está precária, está ruim, não tem remédio no posto saúde, não tem remédio de alto custo. Filas para tirar o remédio de alto custo. O Ipasgo sem funcionar. Hoje, os dependentes dos beneficiários do Ipasgo pagam 30%. (…) o Hugol que eu construí há 10 anos atrás, não tinha macas nos corredores, hoje está lotado de macas. O Hugo lotado de macas nos corredores. Problema de toda ordem. Ontem um escândalo na área das OSs”, persistiu.
Questionado sobre a boa avaliação do ex-governador Caiado em diversas pesquisas – que registram de 80% até 90% positivo -, em contraposição a esses apontamentos negativos que ele citou, Marconi Perillo rebateu: “O Groupon dá 62% [de avaliação positiva], e é uma instituição séria, uma pesquisa séria. Mas eu não quero entrar nesse detalhe”, encurtou.
Um outro aspecto muito celebrado no governo Caiado, os bons resultados da Educação goiana no Ideb também foi comentado por Perillo comparando outros investimentos de seu período no governo. “Eu criei a UEG, a Universidade Estadual de Goiás, e a levei para 41 cidades pobres do estado de Goiás. Eu regionalizei a educação superior para o filho do morador lá de São Miguel do Passa Quatro não precisar ter que mudar para Goiânia para estudar, e ficar lá, próximo dos pais”, citou.
Ele seguiu falando sobre como era o tratamento à universidade estadual. “A UEG tinha 2% do orçamento para investimento em cursos novos, em formação, em professores, em formação de alunos. Mais de 100 mil alunos se formaram pela UEG. Esses 2% não existem mais, não tem mais o dinheiro que financiava a UEG. E o que é que significou? Significou o fechamento de unidades e fechamento de cursos para Goiás inteiro”, alfinetou. Em seguida, acrescentou ainda que sua gestão criou o curso de Medicina na UEG de Itumbiara, “hoje o melhor avaliado em Goiás”.
Planos de Marconi Perillo para o futuro
Perguntado na entrevista sobre o que pretende apresentar como contraponto na disputa ao governo, especialmente frente ao melhor colocado nas pesquisas, o atual governador, Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo citou projetos de longo prazo.
“Em primeiro lugar, nós estamos, eu estou pensando num projeto de longo prazo. Eu quero criar um parque, uma cidade tecnológica para a inteligência artificial. Esse é o projeto, é o carro-chefe desse nosso próximo governo. Um projeto que vai projetar Goiás daqui para muitos e muitos anos, para décadas”, citou.
Depois, apontou mais um. “Um outro plano é criar os ecoparques, para cuidar desde a coleta do lixo, a coleta do resíduo sólido, até a transformação desse lixo, que hoje é um absurdo nos lixões, em biomassa”.
Além desses, ele também destacou que “na Região Metropolitana de Goiânia, já passa da hora da gente ter um anel viário”.




