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PrEP abre caminho para o tratamento preventivo da aids

É mágico. Cada vez que tomo um comprimido, penso em quem não teve essa sorte, diz François, que segue a Profilaxia Pré-exposição, ou PrEP, um tratamento preventivo contra o vírus da aids.
Ainda não temos uma vacina contra a aids, mas a PrEP é um novo método eficaz de prevenção, que se soma ao preservativo, explica à AFP o especialista francês Jean-Michel Molina, por ocasião do Dia Internacional de Combate à aids, nesta sexta-feira (1º).
Além de seu benefício individual, que já está estabelecido, deve-se determinar se pode haver um benefício coletivo, com uma redução do número de novos casos de infecção, acrescenta.
O princípio da PrEp é simples: a pessoa soronegativa toma um medicamento destinado aos soropositivos, o Truvada, que combina dois antirretrovirais.
Os Estados Unidos foram o primeiro país a autorizar este tratamento preventivo em 2012. A França os seguiu, em 2015 – com aplicação em 2016 -, e depois África do Sul, Canadá, QUênia, Brasil, Tailândia, Austrália, Bélgica e Escócia, entre outros.
A PrEP se dirige principalmente aos grupos de risco e é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a homens que fazem sexo com outros homens e pessoas que se prostituem.
– Cinto e airbag –
Na França, primeiro país onde a seguridade social o reembolsa 100%, o tratamento é feito por 5.000 a 10.000 pessoas, segundo o professor Molina.
Seus efeitos sobre a epidemia ainda não se notam: em 2016, houve 6.000 novas infecções, um número estável há uma década.
O número de pessoas que iniciaram uma PrEP em 2006 (3.000) é, sem dúvida, ainda pequeno demais para ter um impacto, analisa a agência de Saúde Pública da França.
A PrEP pode ser seguida de forma contínua – um comprimido por dia – ou segundo a demanda, antes ou depois de uma relação sexual, seguindo um protocolo preciso que deve ser meticulosamente respeitado para ser eficaz.
François, um homossexual parisiense de 55 anos, segue a PrEP de forma continuada há um ano e meio. A espada de Dâmocles desapareceu. Se um dia você esquece do preservativo ou se rompe, o medo já não invade você.
A PrEP é seguida de um acompanhamento rigoroso. Os pacientes devem se submeter a testes a cada três meses para detectar também a infecção por outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), que o tratamento não evita.
O método também tem críticos, segundo os quais ele favorece comportamentos de risco porque pode incentivar o abandono do preservativo.
É importante se proteger contra as outras DSTs com o preservativo. É como um carro: o melhor é usar ao mesmo tempo o cinto e o airbag, destaca o professor Molina.
François garante usar o preservativo com desconhecidos, mas que prescinde dele quando está com parceiros assíduos. Quem nunca usa é uma gente meio louca, que tampouco usava mesmo antes da PrEP, afirma.
– Genéricos –
Outro argumento dos anti-PrEP se baseia em interpretar que, desta forma, a seguridade social financia o desfrute sexual de quem segue o tratamento.
Um médico não deve julgar moralmente seus pacientes, mas preservar sua saúde, defende o professor Molina. A longo prazo, a PrEP custa menos para a coletividade do que as infecções, que precisam de coquetel para toda a vida, insiste.
A patente europeia do Truvada, do laboratório americano Gilead, expirou em julho, portanto os genéricos já estão disponíveis. Na França, isto permitiu reduzir o preço do tratamento de quase 500 para 180 euros (de 600 a 214 dólares) mensais para uma ingestão contínua.
Em alguns países onde a PrEP não é reembolsada, como a Alemanha, o interessado pode obter uma receita médica e pagá-la do próprio bolso. Na Inglaterra, as autoridades de saúde preveem recrutar 10.000 participantes para um estudo de três anos.
Molina recorda, no entanto, que o combate à aids precisa de três flancos: um tratamento rápido para as pessoas infectadas, uma detecção mais frequente das pessoas de risco e um reforço da prevenção, via PrEP e preservativo.



