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Mudança climática e tensões geopolíticas são os maiores riscos em 2018

Londres, 17 jan (EFE).- Os efeitos da mudança climática e as tensões geopolíticas, assim como a insegurança na internet, são os principais riscos para o mundo em 2018, é o que indica o Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial (FEM), apresentado nesta quarta-feira no Reino Unido.

O estudo, que será debatido na cúpula de Davos (Suíça) entre os dias 23 e 26 de janeiro, alerta que a melhora da economia mundial após a crise de 2007 oferece a oportunidade de adotar medidas contra a fragilidade sistêmica que afeta as sociedades, as economias e o meio ambiente.

O relatório, elaborado com base em uma pesquisa que envolveu 1000 empresários e especialistas, revela que o primeiro risco para o planeta, segundo as pessoas consultadas, é a mudança climática e suas consequências ao meio ambiente.

O clima extremo, a perda da biodiversidade e os desastres naturais são percebidos como os maiores perigos para 2018, à frente de outros fatores como o terrorismo e a desigualdade social, que dominaram edições anteriores.

Neste momento, pouco está sendo feito sobre a mudança climática e de forma tardia, mas ainda é possível melhorar as coisas se agirem com urgência, declarou em Londres a chefe de risco do Zurich Insurance Group, Alison Martin.

Outro risco em ascensão, segundo o relatório, é a segurança insuficiente na internet, que expõe tanto as empresas como os Estados e os governos a possíveis ataques externos, que estão cada vez mais frequentes.

O presidente de Risco Global e Digital da seguradora Marsh, John Drzik, alertou que a exposição cibernética está crescendo pela interconectividade dos dispositivos, como computadores e telefones celulares, e pediu a empresas e governos que melhorem suas defesas.

É preciso investir mais na reação e não só na prevenção destes ciberataques, bem como na gestão de risco, afirmou Drzik.

O relatório indica que 59% dos entrevistados percebe que o mundo enfrenta mais riscos em 2018, contra 7% que opinaram que há uma diminuição dos perigos.

Segundo os autores, esta visão negativa corresponde à deterioração do ambiente geopolítico, pois 93% dos entrevistados espera que este ano haja piores embates políticos e econômicos entre as principais potências e 80% preveem mais guerras entre eles.

Martin constatou que há no mundo um aumento do populismo, do protecionismo e do nacionalismo e uma queda do multilaterismo, e advertiu que, como os riscos são sistêmicos, exigem uma resposta coletiva.

O relatório assinala que o populismo e as questões de cultura e identidade estão causando tensões políticas dentro e entre um número crescente de países da União Europeia (UE), incluindo Polônia, Hungria e, de outras maneiras, a Espanha.

O estudo prevê que a polarização entre grupos com diferentes legados culturais e valores permanecerá como uma fonte de risco político nos países ocidentais em 2018 e mais adiante.

Ainda que, ao contrário do que ocorreu em exercícios anteriores, a economia não seja vista como um risco flagrante, os autores alertam que há fatores preocupantes que persistem, como a supervalorização dos ativos – entre eles, por exemplo, a moeda Bitcoin – e a desigualdade, que, em um mundo interconectado, pode derivar em outros tipos de perigo.

Richard Samans, membro do conselho diretor do FEM, afirmou que o órgão fará em Davos uma chamada coletiva de reforma do capitalismo para reduzir o descontentamento social, algo no qual já se concentrou a edição de 2017.

Samans, que insistiu que o Fórum de Davos, que tem fama de atrair milionários e magnatas, melhorou sua representatividade, adiantou que na próxima semana será apresentado o novo Índice de Desenvolvimento Inclusivo, que será uma alternativa mais ampla ao índice de Produto Interno Bruto (PIB). EFE

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