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Lockdown em Anápolis começa nesta sexta-feira e permanece por 10 dias

Sem leitos de UTI disponíveis, tanto na rede pública quanto na rede particular de saúde, Anápolis entra em “lockdown” nesta sexta-feira 5, e deverá durar por 10 dias ,de acordo com entrevista coletiva concedida no miniauditório da prefeitura pelo prefeito da cidade, Roberto Naves. O Objetivo é quebrar o ciclo de transmissão durante esse período fechando o comércio em Anápolis.

A medida é a mais dura já adotada desde o início da pandemia e afeta também as indústrias. O prefeito Roberto Naves explicou que esse é um decreto extraordinário que substitui, nesse período, a chamada “matriz de risco” que norteava os decretos anteriores. “Não importa quem é contra e não importa quem é à favor, nem importa quem vai para as redes sociais falar besteira. Só o que importa agora é ficar em casa porque não há mais vagas nos hospitais”, disse ele em tom firme e severo.

Durante quase uma hora, Roberto teceu explicações detalhadas sobre a situação de Anápolis. Lembrou que os procedimentos adotados até agora são referência para o Brasil, mas que não há, no momento, outra alternativa para conter a pandemia. “Fizemos de tudo. Todos são testemunhas. A nossa cidade foi a que mais cresceu e gerou empregos no Estado em 2020, em plena pandemia, e a 12a do país nos mesmos quesitos. Preservamos a economia enquanto foi possível, mas agora é hora de salvar vidas”, disse ele.

Naves também lembrou que, mesmo ao tomar essa decisão, levou em conta o aspecto econômico. Embora sejam 10 dias de total paralisação, apenas cinco são dias úteis. Ao lado da equipe médica, do vice-prefeito Márcio Cândido e do presidente da Câmara Leandro Ribeiro, Roberto pediu o esforço de todos para que a situação possa ser controlada nesse período e que medidas ainda mais duras não sejam necessárias.

Novas cepas

Utilizando gráficos e números, Roberto Naves mostrou aos jornalistas como as novas cepas do Coronavírus são diferentes da original. Para se ter uma ideia de como a situação se agravou de forma impressionante nos últimos sete dias, havia apenas 15% de pessoas com menos de 30 anos ocupando leitos de UTI em Anápolis. Hoje, elas representam 50%, inclusive em relação aos óbitos. “A doença está levando de forma igualmente rápida, jovens e idosos, para os respiradores. E pior… enquanto antes levava-se 13 dias para alcançar o estado crítico, agora os médicos estão entubando pessoas com sete dias de internação”, relatou.

O prefeito disse ainda que vai continuar trabalhando para ampliar o número de leitos. Mas pediu para que a população pense de modo diferente, para se sentir estimulada a manter o isolamento. De acordo com ele, de cada 10 pacientes que vão para a UTI, seis morrem. “Mesmo que consigamos mais leitos, essa solução é paliativa, porque as pessoas vão continuar morrendo. A única forma conhecida de fazer baixar o número de óbitos é evitar a transmissão através do isolamento. E não adianta ter leitos se também não há mais profissionais para tratar essas pessoas. Estão todos ocupados e já sobrecarregados”, reafirmou.

Lágrimas

Por fim, Roberto fez um agradecimento à imprensa e aos profissionais da área de saúde, tanto da rede pública quanto da particular, que têm doado suas vidas ao enfrentamento à doença. Nessa hora, o prefeito embargou a voz. “São pessoas que trabalham até desmaiar e, mesmo assim se frustram ao ver os pacientes morrendo. Existem médicos que não aguentam mais dar, dezenas de vezes, a notícia da morte de seus pacientes para as famílias”, relatou.

Preocupado em esclarecer a enfatizou que nem o fato de ser jovem ou de ter dinheiro podem garantir a sobrevivência de mais ninguém. Nem mesmo o recurso de poder procurar tratamento em outra cidade ou estado. É um problema nacional. “Peço que recorram ao amor ao próximo que existe em cada um para que fiquem em casa e cuidem de quem vocês amam. E peçam à Deus para que isso melhore. Estamos diante da fase mais grave da pandemia até agora”, finalizou às lágrimas, deixando o miniauditório para outra reunião.

Decreto extraordinário

Em breve resumo, a equipe técnica sanou dúvidas de jornalistas sobre alguns pontos do decreto extraordinário. Em regra, nada abre ou funciona, exceto supermercados, postos de combustível, farmácias, o transporte coletivo, indústrias de alimentos, farmacêuticas ou que produzem outros insumos para a saúde e o setor de urgência e emergência dos hospitais. Nem mesmo consultas médicas ou cirurgias eletivas serão permitidas. De sexta-feira às 19h até 4h do dia 15 é lock lockdown.

Enquanto isso, funcionarão normalmente as entregas dos restaurantes e lanchonetes. Na construção civil, depósitos de material poderão fornecer apenas para a rede pública de saúde. Os postos de vacinação também vão continuar em sistema drive-thru. Na semana que vem, pessoas acima de 70 anos já poderão ser vacinadas.

 

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