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Jihadista do Mali acusado de crimes de guerra é entregue ao TPI

Islamita rebelde ao norte de Tombuktu, Mali, em 24 de abril de 2012.
Um extremista islâmico do Mali acusado de cometer crimes contra a humanidade e crimes de guerra em 2012 e 2013 em Timbuktu foi entregue neste sábado ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
O Sr. Al Hasan Ag Abdul Aziz Ag Mohamed Ag Mahmoud ( Al Hasan) foi entregue ao TPI pelas autoridades do Mali, onde é suspeito de ter cometido atos de tortura, estupro e assédio, indicou em comunicado o tribunal com sede em Haia.
Al Hasan chegou neste sábado à penitenciária do TPI, que na terça-feira emitiu um mandado de prisão contra ele por crimes cometidos durante o conflito armado que começou em janeiro de 2012 no Mali.
Al Hasan é acusado de ser responsável de crimes contra a humanidade, assédio por motivos religiosos ou sexista, estupro e escravidão sexual cometidos no contexto de casamentos forçados, tortura e outros atos desumanos, segundo a promotora do tribunal internacional, Fatou Bensouda.
O malinense de 41 anos foi supostamente membros do grupo Ansar Dine e comissário da polícia islâmica em Timbuktu. Acredita-se que participou na destruição dos mausoléus dos santos muçulmanos naquela cidade.
As acusações contra ele são um sinal da criminalidade e assédio sofridos pela população no Mali, disse Bensouda.
Em uma decisão histórica, o TPI condenou em 2016 a nove anos de prisão um primeiro jihadista malinense, Ahmad al Faqi al Mahdi, pela destruição dos mausoléus de Timbuktu em 2012, quando grupos extremistas tomaram o norte do Mali.
Essa decisão sem precedentes do único tribunal permanente que julga crimes de guerra no mundo foi então considerada uma advertência: a destruição do patrimônio mundial não ficaria impune.
Segundo o TPI, tribunal criado em 2002 para julgar os piores crimes perpetrados em todo o mundo, foi Al Mahdi quem liderou os ataques contra os mausoléus de Timbuktu, inscritos na lista de patrimônio mundial da Unesco.
Fundada entre os séculos V e XII por tribos tuaregues, Timbuktu é apelidada de a cidade dos 333 santos devido ao grande número de eruditos muçulmanos enterrados lá.
Seguindo as ordens de Al Mahdi, os jihadistas demoliram os santuários construídos há vários séculos com a ajuda de escavadeiras.
Após a condenação de Al Mahdi, o primeiro jihadista que se sentou no banco dos réus do TPI, a prisão de outro jihadista malinense abre uma nova etapa.
A prisão de Al Hasan e sua transferência para o TPI enviam um sinal forte para todos aqueles que, onde quer que estejam, cometem crimes que prejudicam a consciência humana, declarou Bensouda.
Espero que [isso] convença Mali de nossa determinação em agir adequadamente e fazer tudo o que pudermos para responder ao sofrimento indescritível infligido à população do Mali, acrescentou.




