
Empresas de Anápolis têm intensificado a busca por trabalhadores de fora da cidade dada a escassez de mão de obra dos últimos meses. Companhias, sobretudo do Daia, encontram dificuldade de preencher as vagas ociosas, em especial em cargos que não exigem altos níveis de qualificação e, por conseguinte, ofertam salários mais baixos.
Muitas têm parcerias com empresas de consultoria, que fazem o assessoramento na contratação de profissionais. Se encontrar o perfil correto para a vaga ofertada já era tarefa árdua, agora é raro ter interessados. Recentemente, uma companhia sediada no distrito industrial da cidade trouxe dezenas de profissionais com origem no Nordeste
A recrutadora Tatiana Alcântara classifica como desafiador o momento do mercado de trabalho. “Anápolis é uma das cidades mais difíceis de contratação em Goiás. Temos muitas vagas, no Daia, por exemplo, com vagas todos os dias. Salários e benefícios são muito parecidos. É bem difícil contratar aqui, principalmente vagas técnicas. Sempre tem mais vagas do que pessoas disponíveis”, expôs.
Diante deste cenário, o secretário de Indústria, Comércio, Turismo e Modernização, o vice-prefeito Márcio Cândido (PSD), aponta que há cada vez mais procura por mão de obra de fora. Ao DM, ele cita que, dentro do próprio Anápolis Investe – programa da Prefeitura que aporta cerca de R$ 1 bilhão em infraestrutura – os empresários têm recorrido a trabalhadores de longe.
“As empresas que vieram para trabalhar no Anápolis Investe, principalmente para a construção civil, buscam gente de fora. Os laboratórios também. Se for fazer uma avaliação, chegaram para Anápolis 60 mil pessoas, segundo o último Censo. Essa migração se dá pela oportunidade de trabalho”, afirmou.
Cândido diz que, seja por recrutadores ou mesmo no Sine, é fácil ver que não há tanta mão de obra disponível. “No Sine, há uma lista de empregos para serem preenchidos. Isso é recorrente”, acrescenta o vice-prefeito.
A pasta dele coordena o Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia de Anápolis (CEITec), que oferta cursos de qualificação focados nas necessidades do mercado. Hoje, revela o secretário, quem passa pela capacitação tem trabalho garantido.
“Na área de confecções, por exemplo, montamos um curso de costureira, estamos com três turmas e todas empregadas, mesmo sem formar. Mão de obra em Anápolis hoje virou ouro”, avalia Márcio Cândido.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Goiás tem hoje 6,2% da população desempregada, um dos índices mais baixos do país, atrás apenas de Rio Grande do Sul, Roraima, Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rondônia. O número é o mais baixo dos últimos dez anos.
Nova dinâmica
Recrutadores ouvidos pelo DM Anápolis disseram que a dinâmica do mercado de trabalho foi profundamente modificada pela pandemia de Covid-19. Com as demissões advindas da crise econômica, cresceu o número de pessoas que optaram por prestar serviços autônomos ou migraram para o trabalho informal.
“Depois da pandemia, veio muito a questão da informalidade. Muita gente quer ser informal hoje, não quer mais CLT”, afirmou Tatiana Alcântara. Ela ainda relata que mesmo quem se dispõe, num primeiro momento, a concorrer às vagas oferecidas acaba desistindo no meio do processo.
“A gente faz o processo, valida, a pessoa é aprovada. Manda para entrevista no cliente, a pessoa não vai e some. Acontece com muita frequência. A gente perde tempo, passa vergonha. O cliente fica à disposição, esperando a pessoa e ela some sem se justificar”, relatou.
Ela, que trabalha com recrutamento há 17 anos, cita que, apesar do comportamento considerado atípico do mercado de trabalho, a tendência é que sempre existam mais vagas que candidatos em Anápolis.
“O mercado de trabalho está tendo um comportamento muito atípico. Mas desde 2006, sempre houve mais vagas que pessoas disponíveis. Muitas pessoas saem do trabalho em que estão porque tem muita vaga. Hoje a gente implora para o candidato. Hoje nós que vamos para cima”, afirmou.
Salário
Muitas pessoas que não têm vínculo formal de emprego citam que as ofertas do mercado para pessoas menos qualificadas em Anápolis não são atraentes. Eles elencam salários baixos e uma grande lista de exigências como fatores que mais afastam o trabalhador.
“Os salários que são oferecidos, até por muitas empresas do Daia, não fazem valer a pena deixar de atuar como autônomo para ter um trabalho de CLT, mais tradicional”, disse Paulo Victor Marques, que trabalha com prestação de serviços e não tem vínculo formal há mais de três anos.
Por outro lado, as empresas de recrutamento argumentam que os vencimentos oferecidos são compatíveis com o mercado, inclusive noutras cidades de maior porte. “Para a área produtiva, como indústrias, (o salário) é muito parecido. Não muda muito. Os salários são muito próximos”, asseverou.




