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Após vitória de Lula, Bolsa despenca 10%, aciona circuit breaker pela primeira vez desde 2020 e dólar dispara

A Bolsa de Valores brasileira (B3) acionou o circuit breaker na manhã desta segunda-feira (26), após o Ibovespa registrar queda de 10% na primeira sessão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mecanismo, que suspende temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos do mercado, não era utilizado desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou uma série de paralisações.
A reação dos investidores também atingiu o câmbio. Por volta das 9h45, o dólar comercial avançava 12,25%, cotado a R$ 5,60, enquanto os contratos de juros futuros registravam forte alta. A turbulência levou a B3 a ampliar os limites de oscilação de determinados contratos e obrigou o Tesouro Nacional a cancelar leilões de títulos públicos previstos para os dias 27 e 29 de outubro
A interrupção das negociações na Bolsa durou 30 minutos, com retomada prevista em leilão entre 10h30 e 10h35. Pelas regras da B3, uma queda de 10% do Ibovespa aciona automaticamente a primeira suspensão. Se as perdas atingirem 15%, as operações poderão ser interrompidas novamente, desta vez por uma hora.
O desempenho desta segunda-feira contrasta com o movimento registrado após o primeiro turno das eleições presidenciais. Em 5 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente de Lula, a Bolsa disparou 7,70%, alcançando 206.911 pontos. Naquele pregão, o dólar recuou 4,11%, chegando a R$ 5,001.
A valorização refletia a expectativa de parte dos investidores de uma mudança na condução da política econômica, especialmente em relação ao controle das despesas públicas e à redução do endividamento federal.
Com a confirmação da vitória de Lula no domingo (25), o mercado passou a rever essas expectativas. Gestores demonstram preocupação com a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais e acomodar os novos gastos anunciados durante a campanha eleitoral.
Uma pesquisa realizada pelo Citibank com 73 gestores de fundos mostrou que 80% dos entrevistados esperavam queda superior a 5% do Ibovespa em caso de vitória de Lula. Outros 63% projetavam desvalorização do real acima de 5%.
O principal receio dos investidores está relacionado ao equilíbrio das contas públicas. A perspectiva de aumento dos gastos sem medidas suficientes de compensação pode elevar o risco atribuído ao Brasil, pressionar os juros e encarecer o financiamento de empresas e famílias.



