
O representante comercial Cícero Cerqueira, de 42 anos, decidiu procurar a Justiça depois de ter imagens suas divulgadas na Internet. Nas redes sociais, ele aparece ao lado de dois outros suspeitos de roubar cargas, durante uma ação policial. O fato ocorreu em fevereiro deste ano e ganhou grande repercussão. Segundo Cícero, os outros suspeitos que aparecem nas imagens são seus conhecidos, mas nada além disso. “Sou casado, tenho três filhos, emprego e nunca me envolvi em qualquer atividade criminosa”, afirma ele.
Segundo Cícero, a exposição das imagens vem causando inúmeros transtornos desde então. Ele perdeu clientes, notou o enfraquecimento de seu círculo social e entrou em depressão. “Preciso ficar explicando o tempo todo para as pessoas que nada tive a ver com aquilo. É um desgaste muito grande e um enorme prejuízo para qualquer pessoa de bem. Afinal, quem vive em sociedade depende de sua reputação para se relacionar e trabalhar”, pontua.
Por meio de Queixa Crime, protocolizada pelo advogado Ruddy Alves do escritório Ronivan Peixoto advogados associados, o representante comercial busca amparo judicial para diminuir o estrago causado. Segundo seu advogado, Cícero, ao tomar conhecimento da divulgação, buscou imediatamente as autoridades policiais para o registro de ocorrência, em face das pessoas que republicaram tal “fake news”.
“A demanda judicial já está em curso junto ao Juizado Especial Criminal da Comarca de Anápolis e pede a citação dos envolvidos, para que expliquem na Justiça a fonte da publicação, bem como sejam condenados pelo crime de injúria”, declarou Ruddy A.
Em entrevista, o advogado conta que situações como esta estão se tornando muito comuns. Não só porque os autores das chamadas “fake news” ainda se sentem desobrigados de arcar com qualquer consequência de seus atos, mas porque as vítimas estão cada vez mais informadas sobre as medidas a tomar no caso de se sentirem ofendidas. “Quem espalha falsas notícias sobre alguém pode ser enquadrado nos crimes de calúnia, injúria e difamação, cujas penas chegam a dois anos de prisão. Sem falar num processo por danos morais, movido na esfera cível, onde a vítima vai pedir uma indenização”, explica.
Preocupado com o crescimento dessas ações, Ruddy Alves pede um basta. “Essas ‘fake news’ têm que acabar e isso depende não só da Justiça, mas de uma Educação mais sólida, do desenvolvimento do caráter e da conscientização de toda a sociedade”. Ele também cita a importância da vítima registrar a ocorrência, juntar provas e testemunhas e procurar um advogado, para que possa saber exatamente os seus direitos e como agir diante da situação. “Vamos até o fim neste processo, visando limpar a imagem do meu cliente e condenar os culpados”. Ainda segundo Ruddy Alves, só uma ação enérgica das pessoas sensatas é capaz de inibir a disposição de espalhar boatos. “Jamais repasse notícias sem checar a fonte e a veracidade dos fatos. Isso é crime e certamente vai gerar problemas. A Internet já deixou de ser uma terra sem lei”, finaliza o advogado.
Por: José Aurélio Mendes

Advogado Ruddy Alves-Foto Reprodução

Cícero Cerqueira em Postagem de grupo de WhatsApp – Fake News




