
A partir desta segunda-feira, 5, a rede municipal de Anápolis coloca em funcionamento um esquema especial de atendimento para suprir a alta demanda provocada pela dengue. Goiás enfrenta uma situação de emergência em saúde pública devido à doença, e em Anápolis não é diferente. Já são 1.984 notificações registradas desde o início do ano, o que representa a incidência de 397 casos de dengue por 100 mil habitantes, um cenário bastante preocupante.
O prefeito Roberto Naves (Republicanos) anunciou as mudanças em uma reunião na sexta-feira, 2, que reuniu diferentes lideranças locais, em uma conclamação para que todos participem e estimulem ações para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya.
Quatro unidades de saúde passam a funcionar com horário estendido, das 7h às 22h, de segunda à sexta-feira: Bairro de Lourdes, Vila União, Vila Norte e Conjunto Filostro Machado. Já a unidade do Parque Iracema funcionará das 7h às 22h todos os dias da semana, inclusive sábado e domingo.
CRIANÇAS
Para os casos de sintomas da dengue, a unidade de saúde do Maracananzinho passa a atender crianças, de segunda a segunda, representando um suporte importante para a UPA Pediátrica. É importante ressaltar que as demais unidades também estarão atendendo casos de dengue.
O prefeito também disse que a preocupação é garantir maior agilidade no atendimento dos casos de dengue, embora devido ao grande volume, há superlotação em unidades públicas e privadas. Uma medida para mitigar esse cenário será colocada em prática essa semana: duas vans estarão à disposição das UPAs, para o transporte de pacientes com quadros leves para unidades de referência.
“Dessa forma todos serão atendidos de forma mais ágil, vamos diminuir o fluxo de pessoas nas portas das UPAs e vamos ter um atendimento de mais qualidade”, disse Roberto Naves.
AÇÃO
O prefeito também informou que toda quinta-feira, durante um mês, todos os servidores municipais irão aos bairros, em todas as regiões de Anápolis, para fazer um trabalho de conscientização da população quanto à necessidade de se eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti.
“Então vocês podem abrir a porta das suas casas para os servidores da prefeitura. Ninguém vai lá multar, ninguém vai lá criticar ou punir. O que precisamos é conscientizar cada um a combater o foco do mosquito”, conclamou o mandatário.
O prefeito também explicou que o pedido para realização de exames da dengue pode ser feito pela ZAP da Prefeitura, na opção “Serviços da Saúde”. É preciso clicar na opção 4 (dengue-agendamento de exame). Segundo a administração municipal, o acesso retornará com local e horário de realização.
O ZAP pode ser acessado através do site anapolis.go.gov.br ou pelo telefone (62) 3902-2882. Além disso, por esse mesmo caminho, a população pode solicitar informações sobre a dengue e também será criado o Dengue-Denúncia.
MOBILIZAÇÃO
A reunião de sexta-feira teve a presença de representantes de empresas, sindicatos, associações, líderes religiosos e demais segmentos para apresentar todos os esforços que serão implantados pelo poder público municipal para o combate à dengue.
O prefeito Roberto Naves pediu para que padres e pastores possam falar, ao final das missas e cultos, sobre a importância de se combater os focos do mosquito. O mandatário também direcionou o pedido às lideranças classistas da construção civil, já que canteiro de obras também são locais com grande incidência de criadouros.
Gabinete de crise vai monitorar número de leitos
O prefeito Roberto Naves também anunciou a instalação de um gabinete de crise para monitoramento minuto a minuto dos leitos disponíveis para atendimento de pacientes com dengue na cidade, além também de acompanhar a situação nas unidades de saúde conveniadas e particulares.
Segundo Naves, tudo indica que a onda de dengue de 2024 será maior do que 2018, quando Anápolis fez mobilização semelhante para combater os focos do mosquito transmissor. Ele explicou que a doença chegou antes esse ano.
“Geralmente a chuva parava e com o calor o mosquito se reproduzia na água parada. Hoje o que se constatou é que o Aedes aegypti está se reproduzindo mesmo com chuva contínua”, explicou Roberto Naves.
Além da onda da doença começar antes, o prefeito ressaltou que a cepa transmitida pelo mosquito é mais letal. “Se antes tínhamos um pico com duração de 30 dias, a previsão é que agora seja de 90 dias”, alertou o prefeito.
Segundo a administração municipal, embora a cidade tenha implantado todas as ações necessárias para minimizar a propagação da doença, observa-se um aumento nos casos em todos os municípios goianos, refletindo também em Anápolis.
Em relação ao manejo ambiental, as equipes de endemias em Anápolis têm empregado bombas costais precisamente para a aplicação de inseticidas, visando eliminar os mosquitos transmissores da dengue. Paralelamente, o carro fumacê intensifica suas atividades nos bairros, com o propósito específico de reduzir a população de mosquitos Aedes aegypti.
ESTADO
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) também instalou em Anápolis um Gabinete Goiás contra a Dengue. A medida foi tomada após reunião do prefeito Roberto Naves com o secretário estadual de Saúde, Rasível dos Reis, e a secretária municipal de Saúde, Elinner Rosa. O objetivo dos gabinetes instalados pelo Estado é avaliar a situação epidemiológica de cada município, planejar e definir as ações a serem executadas para a prevenção e tratamento das arboviroses.
O Governo de Goiás declarou situação de emergência em saúde pública, em decreto publicado na sexta-feira. 3, depois que o Estado atingiu, por quatro semanas epidemiológicas consecutivas, a taxa de incidência de casos suspeitos de dengue acima do limite definido no Plano de Contingência Estadual para Arboviroses.




