
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) criticou, nesta segunda-feira (22), a possibilidade de mudança de uso do Centro de Convenções de Anápolis. O futuro da estrutura tem sido discutido em diferentes propostas, que vão da instalação da prefeitura no prédio até a transformação em rodoshopping.
À Rádio São Francisco, o tucano atribuiu o baixo uso do equipamento a disputas políticas. “Eu considero um absurdo querer desviar as atenções só porque o governador que fez foi o Marconi Perillo”, declarou.
O político argumentou que o complexo foi concebido para eventos e negócios e que a demanda partiu do setor produtivo da cidade. “Havia uma demanda muito grande da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), dos empresários do Daia (Distrito Agroindustrial de Anápolis), uma reivindicação histórica dos anapolinos, de se ter aqui um centro de cultura e convenções de padrão internacional”, relembrou.
Marconi destacou ainda a concepção logística do projeto, integrada ao Daia, à Ferrovia Norte Sul e ao aeroporto. Sustentou também que o complexo “foi pensado e feito para a grandeza de Anápolis” e fez um apelo para que a cidade acompanhe o debate. “Tem que haver uma reação do povo de Anápolis ante essa tentativa de surrupiar uma obra tão importante para outras finalidades”, pontuou.
O debate sobre o futuro do Centro de Convenções ganhou força após movimentos em duas frentes. A empresa Maia e Borba, gestora do Terminal Rodoviário de Goiânia no Araguaia Shopping, manifestou interesse em transformar o prédio em um rodoshopping.
A proposta foi apresentada ao Governo de Goiás, proprietário do imóvel, e está em avaliação. A modelagem prevê operação rodoviária integrada a serviços e comércio, com manutenção da vocação para eventos, apoiada pela infraestrutura existente no local.
Em paralelo, a prefeitura estuda levar a sede do Executivo para o Centro de Convenções. Em reunião no último dia 3, no Centro Administrativo Adhemar Santillo, o prefeito Márcio Corrêa (PL) defendeu a mudança para liberar o prédio atual na Praça 31 de Julho ao retorno da Câmara Municipal, que hoje funciona em imóvel alugado no Jundiaí.
O vice-governador Daniel Vilela (MDB) ouviu o pedido e registrou que o Estado já havia recebido a manifestação de interesse para o rodoshopping. Vilela não descartou a alternativa defendida pelo município e manteve aberto o diálogo sobre o destino do equipamento.
Manutenção
O custo de manutenção pesa na definição. O Estado gasta cerca de R$ 1,2 milhão por mês com o Centro de Convenções. Mesmo com agenda mais frequente de eventos públicos e corporativos, a operação segue deficitária.
No cenário em que o Centro de Convenções se torne a nova rodoviária, a administração municipal avalia ocupar o Terminal Rodoviário Josias Moreira Braga. O prédio precisaria de reforma ampla para adaptação a rotinas administrativas, com revisão de circulação interna, acessibilidade, estacionamento e redes de tecnologia da informação.
Técnicos do governo estadual e do município discutem condições jurídicas e operacionais de cada hipótese, incluindo eventuais alterações legais para permitir a transição de uso.




