Vacina

Há três anos Anápolis aplicava a 1ª dose da vacina contra a Covid-19 no estado

O município foi referência em Goiás no enfrentamento à pandemia; Prefeitura montou estrutura própria para atender anapolinos

Há três anos, no dia 18 de janeiro de 2021, Anápolis inaugurava a vacinação contra a Covid-19 em Goiás. Em um evento na unidade de saúde do Residencial Leblon, o prefeito Roberto Naves (Republicanos) recebia o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que foi o responsável por aplicar uma dose da Coronavac na aposentada Maria Conceição da Silva, que na época tinha 73 anos de idade.

A imunização marcou o início do fim de uma fase aguda da pandemia do coronavírus, que vitimou 708 mil pessoas no Brasil até hoje. À medida que as doses foram chegando e os profissionais do SUS foram organizando esquemas de vacinação, primeiramente com os grupos prioritários e depois para a população em geral, a gravidade dos casos foi diminuindo.

Na tarde desta quinta-feira, 18, a reportagem do DM Anápolis retornou ao Abrigo dos Velhos Professor Nicephoro Pereira da Silva, no Bairro Jundiaí. Dona Maria, a primeira imunizada de Goiás, vivia na instituição, que por coincidência recebeu uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde para que os idosos institucionalizados recebessem mais um reforço contra a Covid-19.

A dose aplicada dessa vez foi a bivalente, que entrou no sistema público em abril do ano passado. Diferente da monovalente Coronavac aplicada há três anos, o novo tipo protege contra duas cepas do vírus, o original Sars-Cov-2, de Wuhan, e a variante Ômicron, que predomina desde 2022. Segundo especialistas, com essa dupla proteção, o medicamento aumenta o seu grau de eficácia contra a Covid-19. Isso reduz a incidência da doença, as internações e os óbitos.

A coordenadora do Abrigo dos Velhos, Graziana Ferreira Gonzaga, conta que a instituição tem 78 idosos, mas que o reforço da Covid-19 seria aplicado em 74, pois os outros quatro estavam gripados, portanto não poderiam receber a vacina. Esses faltantes serão imunizados assim que apresentarem melhora. Questionada sobre a importância da vacinação, a profissional resumiu: “com certeza essa vacina salva vidas”.

Graziana relembrou o ano de 2021, quando os idosos do Abrigo dos Velhos foram os primeiros, no auge da pandemia, a receberem a vacina contra a Covid-19 em todo o Estado de Goiás. “Para nós foi uma satisfação muito grande sermos os primeiros. Foi muito importante também, pois a vacina salvou muitas vidas dos nossos idosos”, ressaltou.

A coordenadora comentou que houve perdas, algo difícil de não acontecer diante de uma crise sanitária tão severa perante um grupo de pessoas tão fragilizadas, mas a vacinação cumpriu o seu papel de devolver a normalidade à sociedade. “Foi muito importante desses anos para cá, e até hoje é, pois segue salvando vidas”, ressaltou.

 

RETRIBUIÇÃO

A escolha pela cidade foi feita pelo governador Ronaldo Caiado. “Por que a cidade de Anápolis? Porque foi a cidade que recepcionou os brasileiros que estavam em Wuhan, na China, quando aconteceu a contaminação. Em retribuição a todos os anapolinos, começaremos por lá e na capital, em Goiânia”, explicou o mandatário, ao buscar as vacinas em São Paulo.

O grupo de repatriados da China chegou em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) no dia 9 de fevereiro na Base Aérea de Anápolis. Ao todo eram 34 passageiros, entre brasileiros e cônjuges chineses, que estavam em Wuhan. Além deles, também viajou uma equipe de apoio com 24 membros.

Naquele dia 18 de janeiro de 2021, Anápolis recebia 10 mil doses da Coronavac e dava início à estratégia de vacinação que acabou sendo reconhecida pela população pela sua organização e capacidade de se adaptar às mudanças quase que diárias. Já naquele momento o Zap da Saúde foi utilizado como ferramenta para contato com os grupos prioritários.

Ao longo da pandemia, a Prefeitura de Anápolis também reservou uma unidade de saúde e criou um hospital de campanha, o Norma Pizzari, especialmente para atender pacientes com Covid-19. O poder público municipal também contratou leitos de UTI para que a população local não entrasse na fila estadual e tivesse atendimento em casos de agravamento da doença. Todo o sistema foi considerado um dos mais organizados no combate à pandemia.

 

Dona Maria Conceição, a primeira a ser vacinada

Foto: Marcos Vieira

 

Maria Conceição da Silva não mora mais no Abrigo dos Velhos Professor Nicephoro Pereira da Silva. No dia 25 de abril de 2023 ela deixou a instituição, por vontade própria, para viver com um amigo de muitos anos, Benedito, que acabou virando um companheiro nessa nova fase da vida da aposentada, que tem seis filhos e trabalhou de doméstica e gari.

O casal vive hoje no Bairro São Joaquim. Dona Maria conta que não teve Covid-19, nem mesmo a forma abrandada da doença. Ela confirma que recebeu todos os reforços e revelou que espera agora chegar a Anápolis a vacina contra a dengue. A Qdenga, imunizante a que se refere a idosa e que será aplicado pelo SUS, é recomendada para pessoas de 4 a 60 anos.

Apesar de hoje estar melhor de saúde, dona Maria diz que passou por maus momentos recentemente. Ela está se recuperando de um acidente. No dia 13 de novembro do ano passado, a aposentada estava sentada no último banco de um ônibus coletivo, que passou em alta velocidade por um quebra-molas. O baque a jogou para o alto, que sofreu lesões na cabeça e em outras partes do corpo.

“Graças a Deus estou bem, estou me recuperando”, afirma a aposentada à reportagem, por telefone. Ela tem amigos e um companheiro que, confidencia dona Maria, é uma pessoa muito boa para ela, alguém que vale a pena ter ao lado.

Na época em que recebeu a primeira dose da Coronavac, dona Maria Conceição contou que problemas de hipertensão fizeram com que ela perdesse a visão de um olho. Em 2021, ao receber a 1ª dose da vacina, não deixou de pensar no próximo.

“Não doeu nada. Esperei muito tempo por essa vacina. Eu estava ansiosa. Isso vai dar força para todas e todos. Quando todo mundo estiver imunizado, aí será alegria para mim. Enquanto não for, eu não tenho muita alegria. Não basta só eu, tem que ser todos”, disse a idosa em entrevistas aos jornalistas.

Dona Maria também falou sobre os companheiros de abrigo. “Lá nós somos 80 pessoas. A gente se sente muito mal quando vê uma ambulância chegando ao hospital com essa doença”, comentou.

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