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Confronto entre imigrantes deixa 22 feridos na França

Das vítimas, cinco foram atingidas por tiros, e estado de quatro delas é grave

CALAIS — Confrontos entre imigrantes afegãos e africanos nesta quinta-feira deixaram 22 feridos, entre eles quatro em estado grave, em Calais, cidade portuária no Norte da França e em frente à costa inglesa. O policiamento foi reforçado na cidade. Buscas estão sendo feitas por suspeitos, mas até o momento ninguém foi preso.

O ministro do Interior, Gérard Collomb, viajou à região na noite desta quinta-feira para se reunir com as autoridades “depois dos graves incidentes que ocorreram”, indicou em sua conta no Twitter. Ele disse que duas unidades extras da polícia estão chegando a Calais.

No total, cinco imigrantes ficaram feridos por tiros, quatro deles muito gravemente, e deviam ser operados com urgência. O quinto teve que ser transferido à cidade de Lille, no Norte da França. Os confrontos começaram numa fila de distribuição de comida, segundo o jornal “Le Monde”.

Outros 12 feridos sofreram traumatismos e feridas menores pelo uso de armas brancas em algumas situações desta briga que começou quando dividiam a comida, informou uma fonte judicial. Uma pessoa foi atropelada por um carro. Além disso, dois policiais ficaram levemente feridos.

Calais sofreu um “nível de violência nunca visto”, declarou o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, que viajou ao local.

— O que vivem os moradores de Calais é insuportável — completou.

O “prognóstico de vida é reservado” para quatro dos feridos por tiros, jovens de entre 16 e 18 anos da Eritreia, disse à “AFP” uma fonte da Procuradoria local.

Esse é o balanço mais grave desde 1º de julho de 2017, quando as brigas entre imigrantes de diferentes nacionalidades deixaram 16 feridos, incluindo um gravemente.

Em termos de vítimas, “voltamos a uma situação que é muito similar à de 2015”, ano em que foi criado o acampamento conhecido como “Selva”, desmantelado em outubro de 2016, comentou uma fonte judicial. No entanto, “nem todos os dias são iguais em termos de violência”, acrescentou a mesma fonte.

Alguns destes confrontos surgiram por acerto de contas entre grupos de traficantes afegãos. Cerca de 800 imigrantes vivem em condições muito difíceis em Calais, segundo as associações na área. A Prefeitura estabeleceu sua última cifra entre 550 e 600. A maioria é originária de Etiópia, Eritreia e Afeganistão.

O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu em meados de janeiro, durante um discurso em Calais, que “em nenhum caso” deixará que se forme novamente uma “Selva” nesse porto, referindo-se ao enorme campo informal que chegou a abrigar mais de 8 mil imigrantes, a maioria tentando emigrar para o Reino Unido.

— Está sendo feito todo o necessário para que a passagem ilegal em Calais (para o Reino Unido) seja impossível — acrescentou Macron neste porto de onde se cruza o Canal da Mancha.

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