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Após ataques, mundo da cibersegurança se reúne em Mônaco

O pequeno mundo da cibersegurança se reúne esta semana em Mônaco para afinar suas estratégias e tentar aumentar a proteção virtual para blindar empresas traumatizadas com os ataques dos vírus Wannacry e NotPetya este ano.
Os prejuízos causados por ambos os ataques cibernéticos chegam a bilhões de dólares.
Há novos riscos que apareceram nos últimos 12 meses, disse à AFP o diretor-geral da francesa Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (Anssi), Guillaume Poupard.
A ameaça certamente não é novidade, com intensos ataques informáticos atingindo nos últimos anos instituições estonianas, a petroleira Saudi Aramco, os estúdios Sony Pictures Entertainment, a emissora de televisão sul-coreana, ou a rede francesa TV5Monde.
A diferença é que o mundo ainda não havia conhecido uma ciberofensiva da envergadura de Wannacry e NotPetya.
Lançado em maio e em junho, o primeiro foi um ransomware que paralisou centenas de milhares de computadores no mundo inteiro, afetando o Sistema de Saúde britânico, as estradas de ferro alemãs e fábricas da montadora Renault.
No caso do NotPetya, registrado em junho, é realmente um ataque de destruição, de sabotagem, avaliou Poupard.
Ali, o objetivo era realmente fazer mal, afirmou o diretor da Anssi, explicando que o alvo era o sistema de impostos da Ucrânia.
Mas, no ciberespaço, isso espalha rápido e faz, rapidamente, vítimas colaterais, entre elas, empresas que faziam negócios com Kiev e que tiveram seus sistemas infectados, completou ele.
A principal vítima francesa conhecida foi a Saint-Gobain, que estima uma perda de mais de 250 milhões de euros.
Com esses ataques, houve uma verdadeira mudança de dimensão na compreensão da ameaça nas empresas, constatou o especialista Gérôme Billois, da Wavestone.
– Espionagem –
Tínhamos o costume de ver ataques para roubar dados e expô-los – o que prejudicava a imagem da marca e prejudicava clientes. Tivemos fraudes financeiras, o que fazia perder dinheiro, e quantias cada vez mais vultosas, lembra.
Mas, agora, com os dois ataques Wannacry e NotPetya, foi a empresa que parou completamente durante vários dias!, acrescentou.
O tema será, evidentemente, abordado nas mesas sobre segurança e sistemas de informação que acontecem de quarta a sexta-feiras (11-13 de outubro), no Palácio do Congresso de Mônaco. Mais de 2.500 pessoas são esperadas no evento.
Além desses ataques espetaculares, spywares são cada vez mais numerosos, representando o básico do fundo de comércio da Anssi.
Há uma subestimativa muito forte dessa ameaça, que representa, porém, 95% da ameaça, adverte Guillaume Poupard.
Cibersegurança custa dinheiro, afirma o secretário francês de Estado para o Digital, Mounir Mahjoubi.
Mas, alerta ele, uma empresa que não investe em cibersegurança deveria ser um warning, porque é uma tomada de risco hoje não se proteger.
A partir de maio próximo, atendendo a uma norma do bloco, as empresas europeias serão obrigadas a tornar público qualquer roubo de dados pessoal. A maioria das companhias ainda prefere manter sigilo sobre os ataques dos quais são alvo, sobretudo, para preservar sua reputação.



