
A venda ilegal de canetas emagrecedoras transformou Goiás em um ponto estratégico internacional para o contrabando desses medicamentos no Brasil. Comercializados pelas redes sociais e até nas ruas, com preços inferiores aos praticados no mercado legítimo, os produtos — em grande parte vencidos e sem controle sanitário — já movimentam cerca de R$ 600 milhões no país, segundo dados divulgados pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteira em janeiro deste ano. Assim, expõe a Receita Federal, o solo goiano se consolida não apenas como rota, mas também como destino final dos remédios sem procedência.
Em 2025, apenas em Goiás, o órgão apreendeu quase R$ 700 mil em medicamentos irregulares, envolvendo cinco tipos diferentes de compostos, dos quais apenas um tem autorização da Anvisa para comercialização no Brasil. O auditor fiscal Guilherme Renovato detalha a posição logística do estado nesse fluxo e revela as origens principais dos produtos comercializados no estado, mesmo vencidos ou sem controle sanitário.

Rota internacional
“Goiás, por estar no centro do país, acaba sendo rota tanto de passagem para outros estados quanto de destino. As principais rotas para o contrabando dessas canetas são os aeroportos internacionais, com origem principalmente na Europa e nos Estados Unidos”, explica o auditor fiscal e chefe da Seção de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal.
O Paraguai é outra fonte de produção e disseminação das canetas emagrecedoras ilegais para o Brasil. Nesse caso específico, no entanto, os produtos são produzidos localmente e contrabandeados por terra ao território nacional. “Saem principalmente de Cidade del Leste, com entrada no Brasil pelo Mato Grosso do Sul, em direção ao Sudoeste Goiano”.
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Contrabando de canetas emagrecedoras
Guilherme diz que os medicamentos são adquiridos em outros países por valores inferiores, sendo revendidos com margens de lucro atrativas pelos criminosos. Para conseguir ingressar no Brasil, os contrabandistas usam estratégias como fundos falsos em malas e até pessoas, conhecidas como “mulas”, que escondem o produto no próprio corpo.
“É comum apreensões de medicamentos do tipo tirzepatida em transportadoras com falsa comprovação de conteúdo. O gerenciamento de risco da Receita Federal tenta identificar incongruências nestas declarações de transporte e bloqueia essas cargas com fortes indícios de suspensão”, afirma.



