
O ano de 2023 já teve 215 ocorrências de incêndio em vegetação em Anápolis, segundo levantamento do Corpo de Bombeiros. Ao DM, a corporação informou que, destes, 110 se deram em lotes baldios dentro do perímetro urbano e outros 105 foram na zona rural.
Os dados foram apurados até o dia 14 de setembro. Na comparação com o ano passado, há redução de 34,84% nas ocorrências deste tipo. As informações de 2022, contudo, dizem respeito ao período que compreende de janeiro até 30 de setembro.
Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros, Licurgo Borges Winck, os números de 2023 estão dentro daquilo que é historicamente registrado, mas ainda num padrão elevado.
“Está dentro do padrão, mas a gente considera um número elevado. Todo ano a gente tem nesse período muitos incêndios em vegetação. Infelizmente é sempre um número muito alto com o qual lidamos”, afirmou em entrevista ao DM Anápolis.
De acordo com o tenente, 95% das causas de incêndio no município – seja no perímetro urbano ou em áreas rurais – são de ações humanas. Culturalmente, explica Licurgo, o uso de fogo para limpeza de lotes é um dos maiores causadores de problemas nesta época do ano.
“As pessoas utilizam muito fogo para limpeza dos lotes e para propriedade rural. Existe essa cultura arraigada no nosso cidadão. Esse fogo que é utilizado, muitas vezes mais próximos a áreas rurais, nessa época do ano, com muito vento, seca e elevadas temperaturas, perde-se o controle”, explicou.
A legislação estabelece prisão de três a seis anos e multa para quem é responsável por incêndios em vegetação. O grande problema, porém, é identificar o criminoso.
“Muito difícil essa identificação para criminalizar. A corporação é acionada para fazer extinção do incêndio. Na maioria das vezes, o fogo está concretizado. Não consegue se pegar a pessoa responsável”, lamentou o bombeiro.
Conscientização e combate
O Corpo de Bombeiros, todos os anos, lança em fevereiro a Operação Cerrado Vivo, que trabalha com conscientização. A ideia é levar a mensagem da preservação preventiva do meio-ambiente à sociedade, sobretudo em ambientes como escolas e universidades.
“A gente trabalha na prevenção com palestras em escolas, orientações em rádio, TV, nas faculdades, com a sociedade civil. Apresentamos causas, motivos e solicitando a colaboração nessa parte preventiva”, explicou.
A partir da chegada da estiagem, a corporação passa a intensificar as ações de combate ao fogo. Há, antes, uma fase de preparação, em que o Corpo de Bombeiros se equipa e faz o treinamento de pessoal que atuará na eliminação dos incêndios, principalmente em áreas rurais. No último trimestre, com a redução dos focos, o trabalho passa a ser de maior monitoramento.
“Nesses meses de agosto, setembro e outubro, há a intensificação. Depois, com as chuvas, a própria vegetação começa a ficar mais verde, úmida e não se incendeia tão facilmente”, contou o tenente.




