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Alexandre Baldy pode ter usado núcleo familiar para dissimular capital ilícito

Três colaboradores de OS fizeram delação, que demonstraria participação do ex-ministro no esquema

O juiz federal Marcelo Bretas autorizou a prisão temporária do ex-ministro e presidente do Progressistas em Goiás, Alexandre Baldy, nesta quinta (6), após investigação identificar compras suspeitas por parte da família do atual secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo. Em reportagem da CNN Brasil, na qual foi exposta trechos da decisão do magistrado, foi revelado que Baldy pode ter usado o núcleo familiar – esposa e sogro – para dissimular capital ilícito entre 2012 e 2017.

Relatório do Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por identificar atividades financeiras suspeitas, verificou, por exemplo, que a esposa do ex-ministro comprou, em 2015, uma aeronave de mais de R$ 1 milhão.

Além disso, a Polícia Federal encontrou dinheiro vivo na residência de Baldy, em Brasília, nesta quinta-feira. O montante é de pelo menos R$ 90 mil e estava guardado em dois cofres.

Operação

 

Operação Dardanários, um desdobramento da Lava Jato, foi deflagrada, na manhã desta quinta-feira (6). Além de Baldy, também foram detidos Rafael Lousa, ex-presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) e Guilherme Franco Netto, pesquisador da Fiocruz. As prisões temporárias tem prazo cinco dias, mas podem ser prorrogadas.

A ação investiga desvios feitos na Saúde do Rio e de São Paulo. As ordens de prisão partiram do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do RJ, que expediu seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Petrópolis (RJ), São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Goiânia e Brasília.

Conforme exposto da decisão de Bretas, foi possível chegar aos alvos por meio de colaboração premiada de três funcionários da Organização Social (OS) Pró-Saúde, de São Paulo. Trocas de mensagens comprovariam a participação de Baldy no esquema – de 2014 a 2018.

Esses colaboradores informaram que a OS queria celebrar contratos com o governo do Rio e que Baldy usaria sua influência política para auxiliar. Ainda de acordo com o exposto, o dinheiro deixava Rio para abastecer a organização de São Paulo e, então, chegar a beneficiários em Goiás.

Notas

A assessoria de Baldy classificou a prisão como desnecessária e exagerada “por fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre sequer participou”. Ainda segundo a nota, o também ex-deputado federal “sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação. A medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas”.

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que “os fatos que levaram as acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no Governo de São Paulo. Portanto, não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na condição de Governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça”.

Sobre a prisão de Rafael Lousa, o PSDB informou que, durante os governos tucanos, em que ele ocupou cargos na Secretaria da Indústria e Comércio e na Juceg, “jamais tivemos notícia de atos de ilicitude ou ilegalidade por parte dele. O PSDB acredita, portanto, que Rafael Lousa irá demonstrar sua inocência e prestará todas as informações necessárias para elucidar os fatos ora investigados, colaborando com a Justiça”.

A Juceg, por sua vez, disse que a Operação trata de contratos firmados na gestão do ex-governador Marconi Perillo, datados do ano de 2013, com a Fundação de Apoio Fiotec. “A Juceg esclarece ainda que não foi alvo de nenhum mandado por parte da PF e tampouco por parte do MPF na data de hoje e que há, em vigência, desde 2019, quando a nova gestão do Governo de Goiás assumiu, 25 contratos atuais com empresas, nenhuma delas citadas na operação.

Com Agência de Notícias/MGoiás/

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