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Em depoimento na PF, Moro afirma que não acusou Bolsonaro de crime

No depoimento que prestou na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba no sábado (2), o ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) em pelo menos duas ocasiões aliviou a carga das acusações contra o presidente Jair Bolsonaro. Ele disse aos investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) que não acusou Bolsonaro de um crime e que esse juízo caberá às “instituições competentes”.

Para Moro, o relato que ele fez no último dia 24 sobre as pressões de Bolsonaro, quando pediu demissão do cargo, foi uma narrativa de interferência política — que ele confirmou e repetiu aos investigadores no seu depoimento.Assim, ele evitou acusar o presidente diretamente de algum artigo previsto no Código Penal ou na Lei 1979/50, que estabelece os crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República.

Na qualidade de ex-juiz federal que ficou anos à frente da Operação Lava Jato, uma acusação criminal direta teria relevância no curso do processo e também em outras esferas que poderão investigar o caso, como o Congresso Nacional.

A opinião de Moro contraria a análise de vários advogados ouvidos pela imprensa ao longo dos últimos dias, que enxergaram crimes de responsabilidade, falsidade ideológica, advocacia administrativa e até obstrução de Justiça como delitos que o presidente pode ter cometido ao ter exigido acesso a relatórios de inteligência da PF e forçado a queda do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

A decisão de Moro de amenizar a carga sobre supostos crimes cometidos por Bolsonaro também pode ser uma estratégia do ex-juiz de aliviar uma acusação futura contra ele próprio. Por essa lógica, poderá dizer que se não enxergou um crime sendo praticado, não teria razão para ter relatado o episódio na época.

Matéria completa :UOL/Rubens Valente-05/05/2020/

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