Goiás
Empresa escolhida para administrar o Hugo responde por mais de 100 processos
São 47 ações trabalhistas em dois estados. Diretor da entidade tem ligação com outra OS que responde a mais de 149 processos

O Instituto Nacional de Amparo à Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Gestão Pública (INTS), organização social (OS) selecionada em chamamento público para administrar o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), está envolvida, direta ou indiretamente, em pelo menos 79 processos.
O processo de chamamento, iniciado no dia 10 de abril e finalizado no dia 13 de agosto, não habilitou inicialmente a INTS. Entretanto, após a apresentação de recurso, a empresa foi novamente habilitada. O contrato firmado com garante a ela a gestão do Hugo pelo período de 48 meses.
A OS vencedora possui sede em Salvador – BA e trabalha há 10 anos no ramo de gestão hospitalar. Ao longo deste período de atuação, a OS acumulou 47 processos trabalhistas. Nove deles em São Paulo e os outros 38 na Bahia, estados onde a INTS tem atuação.
Outros processos
O trabalho de transição da administração do Hugo teve início na última quinta-feira (15) com a realização e uma visita técnica. Na ocasião, estiveram presentes representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da direção do Hugo, da INTS e da OS que hoje administra o hospital, o Instituto Haver.
Entre os representantes da INTS, esteve presente, na condição de Diretor de Planejamento da OS, Allan Wailes de Holanda Cavalcanti. Ele aparece também como sócio da empresa Intensicare UTI.
Com sede em Goiânia e atuação em vários estados brasileiros, a Intensicare UTI é especializada na gestão de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e telemedicina. A empresa tem também como sócios os goianos Rodrigo Teixeira de Aquino e Antônio Cesar Teixeira.
Um de seus braços, a Intensicare UTI – Hospital da Bahia Ltda. responde a 149 processos, 32 deles ligados à Allan Cavalvanti. A maioria dos processos está concentrada também na Bahia, estado de origem da INTS. São 138 no estado além de outros seis no Distrito Federal, Tocantins e Goiás.
Operação Drácon
A Intensicare também foi alvo da Operação Drácon, promovida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF). As investigações promovidas pelo órgão apontaram o suposto pagamento de propinas para deputados distritais em troca da liberação de recursos para empresas com contrato na saúde pública local.
A Intensicare opera a UTI do Hospital de Santa Maria, em Brasília, desde 2009, quando conseguiu a conta mesmo sem participar de nenhuma concorrência pública. De acordo com o portal Metrópoles, a empresa recebeu do governo do DF cerca de R$ 200 milhões até o ano de 2016.
A operação resultou também na condenação da Intensicare UTI e de Ricardo em junho deste ano por improbidade administrativa. A empresa foi proibida de contratar com o poder público por cinco anos e deve pagar multa de 10% sobre o valor atualizado do dano causado ao erário. Os condenados ainda podem recorrer da decisão.
Com Agência de Notícias/Mgoiás/Da Redação/




