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Ex-diretor da OMC diz que crise pode levar a equilíbrio no Brexit

O Reino Unido pode ter que enfrentar um período de crise política antes de chegar a um equilíbrio entre os linhas-duras pró-Brexit e a necessidade de proteger a economia, disse o ex-diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, à AFP nesta terça-feira (27).

Quanto mais os britânicos se afastarem da União Europeia, mais isso vai custar a eles, afirmou.

O compromisso entre se afastar o bastante para agradar aos apoiadores do Brexit, mas não tanto que a economia britânica pague o preço não está disponível por ora, explicou.

É preciso ter trabalho dentro do governo e, talvez, até um período de crise política antes que tal equilíbrio possa aparecer, disse Lemy, de 70 anos, que também foi comissário de Comércio europeu.

Segundo ele, suas experiências anteriores em negociações de comércio global se mostraram terrivelmente complexas e geralmente levam mais tempo do que se imagina.

É por isso que elas duram um tempo enorme, afirmou Lamy à AFP, alertando que a saída do Reino Unido do bloco é como tirar um ovo do omelete.

Lamy também apontou que, embora sair da UE libere o Reino Unido para negociar seus próprios acordos comerciais, a escala de seu mercado comparado ao da UE pode dificultar isso.

Em negociações comerciais, você pesa a escala do seu mercado. Você pode fazer um esforço para acessar um mercado porque é grande, mas se for pequeno, você não pagaria o mesmo preço, exemplificou.

O ex-diretor da OMC também apontou que o Reino Unido vai precisar se rearmar em matéria de experiência de negociação – algo atualmente executado por autoridades europeias. Expertise é tempo e dinheiro.

Lamy também lançou dúvidas sobre o objetivo anunciado pelo governo britânico de negociar um acordo de retirada e outro sobre a futura parceria entre Reino Unido e UE antes que a Grã-Bretanha saia, no ano que vem.

Nessas condições, a data de 29 de março de 2019 está próxima demais para ser possível chegar aos termos de um acordo que vai reger as futuras relações entre União Europeia e Grã-Bretanha, concluiu.

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