{"id":8678,"date":"2018-01-05T04:04:44","date_gmt":"2018-01-05T04:04:44","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=8678"},"modified":"2018-01-05T04:04:44","modified_gmt":"2018-01-05T04:04:44","slug":"restos-de-um-bebe-revelam-como-primeiros-seres-humanos-chegaram-a-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/restos-de-um-bebe-revelam-como-primeiros-seres-humanos-chegaram-a-america\/","title":{"rendered":"Restos de um beb\u00ea revelam como primeiros seres humanos chegaram \u00e0 Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p>Os restos de um beb\u00ea encontrados no Alasca, nos Estados Unidos, lan\u00e7am uma nova luz sobre como pode ter acontecido o povoamento na Am\u00e9rica, milhares de anos atr\u00e1s. Os ossos da menina t\u00eam 11,5 mil anos, e a an\u00e1lise gen\u00e9tica deles, juntamente com outros dados, indica que ela pertencia a um grupo humano desconhecido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Os cientistas dizem que o que descobriram at\u00e9 agora a respeito do DNA da beb\u00ea d\u00e1 forte sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de que uma onda de imigrantes da Sib\u00e9ria chegou ao continente entre 15 mil e 25 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O n\u00edvel do mar, que na \u00e9poca era mais baixo, teria criado um trecho de terra firme no Estreito de Bering, que conectava a Sib\u00e9ria ao Alasca.<\/p>\n<p>Esse estreito ficou submerso novamente h\u00e1 cerca de 10 mil anos, quando as geleiras ao norte dele come\u00e7aram a derreter.<\/p>\n<p>Os primeiros colonos se dividiram em dois grupos: os que ficaram no Alasca e os que migraram para o sul do continente.<\/p>\n<p>O segundo grupo deu origem aos ancestrais de todos os nativos americanos de hoje, segundo o professor Eske Willerslev e seus colegas, que publicaram nesta semana um estudo gen\u00e9tico dos restos da beb\u00ea na revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<h3>USR1<\/h3>\n<p>O esqueleto da beb\u00ea de seis semanas de vida foi desenterrado do s\u00edtio arqueol\u00f3gico Upward Sun River em 2013.<\/p>\n<p>A comunidade ind\u00edgena local deu a ela o nome &#8220;Xach&#8217;itee&#8217;aanenh t&#8217;eede gay&#8221;, que significa &#8220;menina do amanhecer&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 a equipe de cientistas se refere a ela simplesmente como &#8220;USR1&#8221; (as iniciais de Upward Sun River).<\/p>\n<p>&#8220;Esses s\u00e3o os restos humanos mais antigos que j\u00e1 foram encontrados no Alasca, mas o mais interessante aqui \u00e9 que esse indiv\u00edduo pertencia a uma popula\u00e7\u00e3o de humanos que nunca hav\u00edamos visto antes&#8221;, explicou Willerslev, que \u00e9 filiado \u00e0s universidades de Copenhague, na Dinamarca, e de Cambridge, no Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;Esse grupo tem alguma rela\u00e7\u00e3o alguma rela\u00e7\u00e3o com os nativos modernos da Am\u00e9rica, mas n\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o direta. Por isso, pode-se dizer que a menina vem de um grupo de nativos do continente ainda mais antigo ou mais original: o primeiro grupo de nativos americanos que se diversificou (e se dividiu) em outras popula\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Isso significa que a menina pode nos trazer informa\u00e7\u00f5es sobre os ancestrais de todos os nativos americanos&#8221;, agregou o professor.<\/p>\n<p>Os cientistas estudam a hist\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es antigas por meio de an\u00e1lise das muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ou pequenos erros que s\u00e3o acumulados no DNA em sucessivas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses padr\u00f5es, quando combinados com modelos demogr\u00e1ficos, tornam poss\u00edvel estabelecer conex\u00f5es entre diferentes grupos populacionais ao longo do tempo.<\/p>\n<p>O estudo da equipe de Willerslev aponta a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o ancestral que come\u00e7ou a se diferenciar geneticamente dos asi\u00e1ticos orientais h\u00e1 aproximadamente 34 mil anos e que completou essa separa\u00e7\u00e3o h\u00e1 25 mil anos &#8211; o que indica que essa popula\u00e7\u00e3o cruzou o Estreito de Bering.<\/p>\n<h3>Migra\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>A pesquisa sugere, al\u00e9m disso, que o grupo representado pela USR1 posteriormente come\u00e7ou a se diferenciar dos migrantes pioneiros. Essa separa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica aconteceu h\u00e1 cerca de 20 mil anos e \u00e9 o resultado da perman\u00eancia dessas pessoas no Alasca durante milhares de anos.<\/p>\n<p>Outros, por\u00e9m, se separaram deste grupo e viajaram ao sul para ocupar territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Esse grupo itinerante foi o que finalmente se dividiu em duas fam\u00edlias gen\u00e9ticas que s\u00e3o reconhecidas com os ancestrais das popula\u00e7\u00f5es americanas ind\u00edgenas de hoje.<\/p>\n<p>Willerslev explicou que, antes de esturarem o genoma da beb\u00ea encontrada, eles ainda n\u00e3o haviam achado nativos americanos mais recentes ou antigos siberianos que pudessem ajud\u00e1-los a determinar as rela\u00e7\u00f5es e o tempo de separa\u00e7\u00e3o de cada grupo.<\/p>\n<p>&#8220;Mas agora temos um indiv\u00edduo de uma popula\u00e7\u00e3o mais antiga e isso realmente abre as portas para respondermos perguntas fundamentais&#8221;, completou.<\/p>\n<p>As respostas definitivas chegar\u00e3o com o descobrimento de mais restos no Alasca e no noroeste da Sib\u00e9ria, afirmou o cientista.<\/p>\n<p>No entanto, encontrar resqu\u00edcios de ossos nessa regi\u00e3o do Estado do noroeste dos Estados Unidos pode ser bastante complicado por causa dos solos \u00e1cidos desfavor\u00e1veis para a preserva\u00e7\u00e3o dos esqueletos e, em particular, do DNA deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os restos de um beb\u00ea encontrados no Alasca, nos Estados Unidos, lan\u00e7am uma nova luz sobre como pode ter acontecido o povoamento na Am\u00e9rica, milhares de anos atr\u00e1s. 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