{"id":8432,"date":"2018-01-04T15:08:27","date_gmt":"2018-01-04T15:08:27","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=8432"},"modified":"2018-01-04T15:08:27","modified_gmt":"2018-01-04T15:08:27","slug":"rebeliao-deixa-ao-menos-nove-mortos-e-14-feridos-em-presidio-de-goias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/rebeliao-deixa-ao-menos-nove-mortos-e-14-feridos-em-presidio-de-goias\/","title":{"rendered":"Rebeli\u00e3o deixa ao menos nove mortos e 14 feridos em pres\u00eddio de Goi\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>Ao menos nove presos foram mortos e 14 ficaram feridos durante uma rebeli\u00e3o, na tarde desta segunda-feira (1\u00ba), na col\u00f4nia agroindustrial do regime semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goi\u00e2nia, na regi\u00e3o metropolitana da capital. Pelo menos duas das v\u00edtimas foram decapitadas.<\/p>\n<p>Outros 106 presos fugiram. Desse total, 29 foram recapturados pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a e outros 77 continuavam foragidos. Al\u00e9m deles, mais 127 sa\u00edram da unidade quando o motim ainda acontecia, mas retornaram ao local ap\u00f3s o t\u00e9rmino do conflito.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es de mortos, feridos e fugas s\u00e3o da Secretaria de Estado da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria de Goi\u00e1s. O conflito, que foi controlado no final desta tarde, ocorreu ap\u00f3s presos de uma ala invadirem outro pavilh\u00e3o da col\u00f4nia e iniciarem uma troca de tiros e colocarem fogo em colch\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com agentes prisionais ouvidos pela reportagem, presos de uma ala tinham rixa antiga com os de outro pavilh\u00e3o por causa de comando de crimes.<\/p>\n<p>V\u00edsceras de um dos presos foram retiradas do corpo dele e penduradas no arame no alto do muro da unidade. Telhados foram destru\u00eddos durante a rebeli\u00e3o, conforme mostram imagens cedidas por agentes prisionais.<\/p>\n<p>O Corpo de Bombeiros enviou cinco equipes para combater o inc\u00eandio e encaminhar os feridos ao Hospital de Urg\u00eancias de Aparecida de Goi\u00e2nia (Huapa). Na unidade hospitalar, dois dos sobreviventes est\u00e3o em estado de sa\u00fade grave. Um deles, de 51 anos, est\u00e1 entubado e sedado por ter sofrido queimaduras e sido intoxicado pela fuma\u00e7a do inc\u00eandio. O outro, de 30, est\u00e1 com uma bala alojada no ombro esquerdo e vai ser submetido a uma tomografia.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o Huapa, a maioria dos feridos que foi encaminhada \u00e0 unidade apresenta estado de sa\u00fade regular. Eles sofreram cortes, fraturas e les\u00f5es no corpo.<\/p>\n<p>Equipes do Gope (Grupo de Opera\u00e7\u00f5es Penitenci\u00e1rias Especiais) e do Batalh\u00e3o de Choque da Pol\u00edcia Militar retomaram o controle da unidade no final da tarde desta segunda.<\/p>\n<p>O Graer (Grupo de Radiopatrulha A\u00e9rea) tamb\u00e9m foi chamado para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a. No entanto, agentes prisionais contam que disparos de arma de fogo foram dados do helic\u00f3ptero do Graer em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade.<\/p>\n<p>Desespero, afli\u00e7\u00e3o e choro tomaram conta dos familiares de presos. Eles correram para a col\u00f4nia agroindustrial do semiaberto assim que ficaram sabendo da rebeli\u00e3o. Alguns ainda est\u00e3o desesperados por informa\u00e7\u00f5es de seus parentes.<\/p>\n<p>A reportagem tentou ouvir o secret\u00e1rio de Estado da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria, Ricardo Balestreri, e o superintendente executivo de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria, Newton Nery Castilho, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>O presidente da Aspego (Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores do Sistema Prisional do Estado de Goi\u00e1s), Jorimar Bastos, diz que, durante a rebeli\u00e3o, a unidade tinha cinco agentes de plant\u00e3o, n\u00famero que foi refor\u00e7ado por causa do final de ano. Segundo ele, normalmente, por plant\u00e3o, apenas tr\u00eas agentes trabalham na seguran\u00e7a da unidade do regime semiaberto, que tem 900 presos. &#8220;\u00c9 uma barb\u00e1rie&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>MASSACRES DE JANEIRO<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o registrada no pres\u00eddio de Goi\u00e1s no primeiro dia de 2018 aconteceu exatamente um ano ap\u00f3s o conflito iniciado na penitenci\u00e1ria de Manaus e que se espalhou dias depois por unidades de Roraima e Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>As tr\u00eas rebeli\u00f5es de janeiro de 2017 deixaram mais de 120 detentos mortos. Na maioria dos casos, os conflitos foram iniciados por membros de fac\u00e7\u00f5es rivais que pretendiam assumir o comando do crime de dentro das unidades.<\/p>\n<p>De acordo com o delegado-geral do Amazonas, Frederico Mendes, o inqu\u00e9rito &#8220;comprovou que o massacre de Manaus foi causado pela rivalidade entre as fac\u00e7\u00f5es criminosas FDN (Fam\u00edlia do Norte) e PCC (Primeiro Comando da Capital)&#8221; em uma disputa pelo controle dos pres\u00eddios da capital amazonense. A transfer\u00eancia de l\u00edderes da FDN para pres\u00eddios federais no ano anterior tamb\u00e9m estimulou o massacre.<\/p>\n<p>Em Roraima, o ent\u00e3o secret\u00e1rio estadual de Justi\u00e7a, Uziel Castro, disse que a matan\u00e7a registrada na Penitenci\u00e1ria Agr\u00edcola de Monte Cristo foi uma retalia\u00e7\u00e3o do PCC contra os membros da fac\u00e7\u00e3o mortos em Manaus. Na capital potiguar, a disputa pelo controle do tr\u00e1fico de drogas entre as fac\u00e7\u00f5es PCC e Sindicato do Crime gerou o conflito.<\/p>\n<p>Os massacres tamb\u00e9m reascenderam o debate sobre a pol\u00edtica de encarceramento do pa\u00eds, que j\u00e1 apresenta a terceira maior popula\u00e7\u00e3o de presos do mundo.<\/p>\n<p>Seis meses ap\u00f3s os conflitos, reportagem da Folha mostrou que os governos dos tr\u00eas Estados onde as rebeli\u00f5es ocorreram pouco fizeram para tornar o sistema prisional mais eficiente.<\/p>\n<p>Como medida emergencial, os Estados transferiram detentos, anunciaram a constru\u00e7\u00e3o de novas penitenci\u00e1rias e fizeram mutir\u00f5es para revisar processos, mas nenhum conseguiu alcan\u00e7ar o &#8220;calcanhar de Aquiles&#8221; do problema: o n\u00famero de presos provis\u00f3rios \u2013aqueles que ainda aguardam por um julgamento.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, apenas o Amazonas conseguiu reduzir a popula\u00e7\u00e3o de provis\u00f3rios em quantidade significativa, segundo dados oficiais, por meio de mutir\u00f5es do Judici\u00e1rio que sentenciaram 63% dos processos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao menos nove presos foram mortos e 14 ficaram feridos durante uma rebeli\u00e3o, na tarde desta segunda-feira (1\u00ba), na col\u00f4nia agroindustrial do regime semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goi\u00e2nia, na regi\u00e3o metropolitana da capital. 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