{"id":79863,"date":"2025-11-19T22:25:11","date_gmt":"2025-11-19T22:25:11","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=79863"},"modified":"2025-11-19T22:25:11","modified_gmt":"2025-11-19T22:25:11","slug":"dia-da-consciencia-negra-pesquisa-diz-que-mais-da-metade-de-pretos-e-pardos-nao-sabem-como-denunciar-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/dia-da-consciencia-negra-pesquisa-diz-que-mais-da-metade-de-pretos-e-pardos-nao-sabem-como-denunciar-racismo\/","title":{"rendered":"Dia da Consci\u00eancia Negra: Pesquisa diz que mais da metade de pretos e pardos n\u00e3o sabem  como denunciar racismo"},"content":{"rendered":"<p>Pouco mais da metade (52,2%) das pessoas pretas e pardas n\u00e3o sabe quais caminhos seguir para denunciar casos de racismo ou inj\u00faria racial, embora essa popula\u00e7\u00e3o passe de 55% dos brasileiros e os casos de racismo sejam cotidianos, nacionalmente. O desconhecimento \u00e9 acompanhado por outro dado: apenas 47,5% dos pretos e pardos conhecem legisla\u00e7\u00f5es antidiscriminat\u00f3rias.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19), v\u00e9spera do feriado nacional pelo Dia da Consci\u00eancia Negra.<\/p>\n<p>O levantamento revela ainda que apenas 20,3% dos entrevistados acreditam que a den\u00fancia ser\u00e1 encaminhada para os devidos fins legais e que provid\u00eancias cab\u00edveis ser\u00e3o tomadas.<\/p>\n<p>A pesquisa ouviu uma amostra de 423 pessoas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds \u2500 310 pretas e 113 pardas \u2500 por meio de um formul\u00e1rio online de julho a setembro deste ano.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado pelos institutos Orire e Suma\u00fama, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil sem fins lucrativos e divulgado pela\u00a0<em><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-11\/mais-da-metade-dos-negros-diz-nao-saber-como-denunciar-caso-de-racismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/a><\/em>nesta quarta. O trabalho, que tamb\u00e9m buscou informa\u00e7\u00f5es sobre percep\u00e7\u00e3o de racismo e inj\u00faria racial em meios de transporte, foi apoiado pela plataforma de transportes por aplicativo Uber.<\/p>\n<p>De cada dez entrevistados, seis (59,3%) relatam j\u00e1 terem sido v\u00edtimas de racismo ou inj\u00faria racial ao se deslocar pela cidade. Apesar dessa parcela, 83,9% nunca registraram boletim de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com o Censo 2022, pretos e pardos formam 55,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<h3 id=\"h-abismo-informacional\" class=\"wp-block-heading\">\u201cAbismo informacional\u201d<\/h3>\n<p>A fundadora do Instituto Orire, Thais Bernardes, considera que o resultado da pesquisa revela um \u201cabismo informacional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUma estrutura que faz com que o caminho da den\u00fancia seja confuso, seja pouco acess\u00edvel e, muitas vezes, at\u00e9 desencorajador\u201d, disse \u00e0\u00a0<em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Para ela, o fato de mais da metade dos entrevistados n\u00e3o saber como denunciar, e apenas 1,7% dos que denunciam terem algum retorno, mostra que o problema n\u00e3o \u00e9 individual.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 estrutural, um sistema que n\u00e3o se comunica com quem mais precisa dele\u201d, afirma Thais, respons\u00e1vel pelo portal Not\u00edcia Preta, dedicado \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o antirracista.<\/p>\n<p>A jornalista acrescenta que a desinforma\u00e7\u00e3o e a falta de resposta institucional fazem parte da l\u00f3gica \u201cque mant\u00e9m a impunidade e permite que o racismo siga operando livremente nos espa\u00e7os p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO desconhecimento \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de viol\u00eancia\u201d, constata.<\/p>\n<p>O levantamento do Orire identificou que 77,1% dos entrevistados afirmam saber a diferen\u00e7a entre racismo e inj\u00faria racial. O racismo \u00e9 entendido como um crime contra a coletividade, a inj\u00faria \u00e9 direcionada ao indiv\u00edduo.<\/p>\n<h3 id=\"h-combate-ao-racismo\" class=\"wp-block-heading\">Combate ao racismo<\/h3>\n<p>Thais indica que, al\u00e9m de priorizar o aumento do conhecimento sobre formas de lidar com o racismo, s\u00e3o necess\u00e1rias outras a\u00e7\u00f5es para combater a discrimina\u00e7\u00e3o racial. Para ela \u00e9 preciso mais informa\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas p\u00fablicas, forma\u00e7\u00e3o das equipes que atendem as v\u00edtimas e sistemas que consigam investigar e punir os casos.<\/p>\n<p>\u201cO conhecimento empodera, mas s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es estruturais que interrompem o ciclo de viol\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cSe quando a pessoa chega na delegacia \u00e9 desencorajada, desrespeitada ou at\u00e9 mesmo ridicularizada, ent\u00e3o, o sistema de Justi\u00e7a tamb\u00e9m precisa ser educado em antirracismo e atendimento humanizado\u201d, cobra.<\/p>\n<h3 id=\"h-guia-pratico\" class=\"wp-block-heading\">Guia pr\u00e1tico<\/h3>\n<p>Al\u00e9m da pesquisa, o projeto Percep\u00e7\u00f5es sobre Racismo e os Caminhos para a Justi\u00e7a preparou um guia com orienta\u00e7\u00f5es sobre formas de denunciar discrimina\u00e7\u00e3o racial e conhecimento sobre leis.<\/p>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas do guia foram desenvolvidas pela Black Sisters in Law, uma rede global de advogadas negras.<\/p>\n<p>Uma orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 a n\u00e3o obrigatoriedade de ter um advogado para registrar uma ocorr\u00eancia de racismo, inj\u00faria racial ou discrimina\u00e7\u00e3o racial. Outra dica \u00e9 que o registro pode ser feito de forma presencial ou online em delegacia comum, ou especializada.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda men\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, como a Lei Ca\u00f3, de 1989, que trata o racismo como crime imprescrit\u00edvel e inafian\u00e7\u00e1vel. O nome \u00e9 refer\u00eancia ao militante e pol\u00edtico negro Carlos Alberto Oliveira dos Santos, o Ca\u00f3.<\/p>\n<p>Outra legisla\u00e7\u00e3o de destaque \u00e9 o Estatuto da Igualdade Racial, de 2010.<\/p>\n<h3 id=\"h-canal-de-denuncia\" class=\"wp-block-heading\">Canal de den\u00fancia<\/h3>\n<p>Thais Bernardes defende para uma forma de den\u00fancia de agress\u00f5es racistas ser eficaz, \u00e9 preciso unir dois elementos: gerar algum tipo de consequ\u00eancia real e \u201cn\u00e3o destruir emocionalmente a pessoa no processo\u201d.<\/p>\n<p>Ela orienta que v\u00edtimas procurem delegacias de pol\u00edcia, institui\u00e7\u00f5es como Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica, al\u00e9m de ouvidorias e canais digitais oficiais.<\/p>\n<p>O governo disponibiliza o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/acesso-a-informacao\/disque-100\/disque-100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Disque 100<\/strong>,<\/a>\u00a0servi\u00e7o telef\u00f4nico gratuito para den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco mais da metade (52,2%) das pessoas pretas e pardas n\u00e3o sabe quais caminhos seguir para denunciar casos de racismo ou inj\u00faria racial, embora essa popula\u00e7\u00e3o passe de 55% dos brasileiros e os casos de racismo sejam cotidianos, nacionalmente. 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