{"id":74300,"date":"2024-05-07T10:58:42","date_gmt":"2024-05-07T10:58:42","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=74300"},"modified":"2024-05-07T10:58:42","modified_gmt":"2024-05-07T10:58:42","slug":"goias-lidera-recorde-de-pesquisas-eleitorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/goias-lidera-recorde-de-pesquisas-eleitorais\/","title":{"rendered":"Goi\u00e1s lidera recorde de pesquisas eleitorais"},"content":{"rendered":"<p>A cinco meses das elei\u00e7\u00f5es municipais, o n\u00famero de pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste ano \u00e9 o maior j\u00e1 registrado desde que a s\u00e9rie hist\u00f3rica come\u00e7ou em 2012. Entre janeiro e abril, foram realizados 1.127 levantamentos, quatro vezes mais do que no \u00faltimo pleito para prefeito e vereador em 2020, quando foram registradas 296 pesquisas no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Um dado relevante \u00e9 que quase metade dessas pesquisas (44,4%), ou seja, 500 delas, foram autofinanciadas \u2014 pagas pela mesma empresa que conduziu a sondagem. Nesse modelo, ao informarem que realizaram o levantamento com recursos pr\u00f3prios, os respons\u00e1veis n\u00e3o precisam prestar contas sobre a origem do dinheiro. Isso tem gerado preocupa\u00e7\u00e3o em entidades e tem sido tema de debate no Congresso, levantando questionamentos sobre a transpar\u00eancia e a integridade dessas pesquisas eleitorais.<\/p>\n<p>Os dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que essa pr\u00e1tica j\u00e1 era predominante em 2020, representando 74% dos levantamentos registrados. No entanto, esse n\u00famero caiu na elei\u00e7\u00e3o subsequente, em 2022, para 36%. Nessa \u00e9poca, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) solicitou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a prolifera\u00e7\u00e3o de CNPJs que estavam registrando pesquisas eleitorais financiadas pela pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<p>&#8220;Empresas de pesquisa n\u00e3o s\u00e3o atividades beneficentes. Se surgem empresas que se dedicam a uma pr\u00e1tica reincidente de levantamentos feitos com recursos pr\u00f3prios, isso pode ser um indicativo de que est\u00e1 acontecendo um financiamento impl\u00edcito, que n\u00e3o aparece&#8221;,\u00a0 afirmou o presidente do Conselho de Opini\u00e3o P\u00fablica da Abep, Jo\u00e3o Meira, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor e fundador do Vox Populi.<\/p>\n<p><b>Projeto no Senado<\/b><\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de pesquisas autofinanciadas \u00e9 um dos pontos do projeto que trata do C\u00f3digo Eleitoral, o qual j\u00e1 foi aprovado na C\u00e2mara dos Deputados, mas ainda n\u00e3o tem consenso no Senado. O relator do projeto, senador Marcelo Castro (MDB-PI), defende o fim dessa pr\u00e1tica, buscando garantir maior transpar\u00eancia e credibilidade nas pesquisas eleitorais.<\/p>\n<p>&#8220;O que um instituto ganha em fazer a pesquisa de um candidato? \u00c9 como se fosse uma loja que n\u00e3o vende as suas mercadorias. Isso serve para esconder quem o contratou, geralmente com dinheiro vivo&#8221;, disse Marcelo Castro.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o com o objetivo de trazer mais transpar\u00eancia \u00e0s pesquisas autofinanciadas. Neste ano, as empresas s\u00e3o obrigadas a enviar ao TSE o Demonstrativo de Resultado de Exerc\u00edcio (DRE) do ano anterior para comprovar que t\u00eam capacidade financeira para custear seus pr\u00f3prios levantamentos.<\/p>\n<p>Especialistas em elei\u00e7\u00f5es e representantes do setor tamb\u00e9m atribuem o aumento no n\u00famero de pesquisas eleitorais registradas \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de coleta de dados. Anteriormente, os levantamentos eram feitos pessoalmente, mas agora, com processos automatizados, \u00e9 poss\u00edvel enviar uma s\u00e9rie de perguntas usando apenas uma base de e-mails ou n\u00fameros de telefone.<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Moura, presidente do Instituto Big Data, destaca que a prolifera\u00e7\u00e3o de institutos de pesquisa permite que os levantamentos n\u00e3o se limitem apenas aos grandes centros urbanos, alcan\u00e7ando uma maior diversidade de regi\u00f5es e eleitores.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado come\u00e7a dialogar com mercados com mais oferta e competi\u00e7\u00e3o como Europa, M\u00e9xico e Estados Unidos. Nesses pa\u00edses o grau de especializa\u00e7\u00e3o local e regional explica a maior oferta de institutos. Isso vem acontecendo no pa\u00eds. Estamos saindo de um regime duopolista e ampliando oferta de institutos&#8221;, afirmou Moura.<\/p>\n<p><b>Pesquisas contratadas<\/b><\/p>\n<p>Parte dos levantamentos \u00e9 encomendada pelos pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos, que buscam avaliar o potencial eleitoral de seus quadros antes de oficializar as candidaturas. O partido que mais investiu at\u00e9 o momento em pesquisas foi o PL, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que destinou R$ 199 mil para levantamentos em munic\u00edpios onde pretende disputar a prefeitura. Por exemplo, o PL contratou dois levantamentos, um em Santos (SP) e outro em Londrina (PR), cada um custando R$ 40 mil.<\/p>\n<p>Em Santos, o partido avalia lan\u00e7ar a deputada federal Rosana Valle como candidata. J\u00e1 em Londrina, ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre qual ser\u00e1 o nome escolhido entre o deputado Filipe Barros e o presidente da Companhia de Habita\u00e7\u00e3o (Cohab), Bruno Ubiratan, para concorrer \u00e0 prefeitura.<\/p>\n<p>O PSD foi a segunda legenda que mais investiu em pesquisas, realizando 18 levantamentos em cidades do interior do Piau\u00ed. O custo total foi de R$ 66,5 mil, com cada pesquisa variando entre R$ 3,5 mil a R$ 5,5 mil, financiados pelo Fundo Partid\u00e1rio do partido liderado por Gilberto Kassab.<\/p>\n<p>O Republicanos no Piau\u00ed tamb\u00e9m contratou quatro pesquisas, sendo tr\u00eas delas na capital, Teresina, totalizando um gasto de R$ 34 mil. Por sua vez, o PT, partido do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, registrou apenas uma pesquisa, realizada em S\u00e3o Jo\u00e3o do Arraial, tamb\u00e9m no interior do Piau\u00ed.<\/p>\n<p>O estado que registrou o maior n\u00famero de pesquisas at\u00e9 o momento foi Goi\u00e1s, com um total de 157 levantamentos. A pesquisa de maior valor foi contratada pelo PL, que enfrenta divis\u00f5es na defini\u00e7\u00e3o do candidato em Goi\u00e2nia. O partido investiu R$ 34 mil para avaliar a viabilidade do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que j\u00e1 se lan\u00e7ou como pr\u00e9-candidato, mas enfrenta resist\u00eancias internas.<\/p>\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico Carlos Pereira, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), devido \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o eleitoral observada nas \u00faltimas disputas, houve uma corrida para que os candidatos testem suas chances por meio de pesquisas eleitorais.<\/p>\n<p>&#8220;A pesquisa n\u00e3o determina o voto do eleitor, mas influencia principalmente na sua decis\u00e3o de votar de acordo com suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas (voto sincero) ou estrategicamente (voto \u00fatil)&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma percep\u00e7\u00e3o de que os pr\u00e9-candidatos precisam gerar constantemente conte\u00fado para as suas redes sociais. &#8220;e uma pesquisa favor\u00e1vel serve de material para ele divulgar ao seu eleitor&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Uma parte da luta pol\u00edtica hoje \u00e9 feita por meio de convencimento da opini\u00e3o p\u00fablica. Isso \u00e9 uma consequ\u00eancia das redes sociais e da amplia\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es e da maneira como elas impactam o debate pol\u00edtico&#8221;, afirmou Rafael Cortez, do Instituto de Direito P\u00fablico (IDP).<\/p>\n<p>Com Ag\u00eancia de Not\u00edcias\/ Goi\u00e1s 246\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cinco meses das elei\u00e7\u00f5es municipais, o n\u00famero de pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste ano \u00e9 o maior j\u00e1 registrado desde que a s\u00e9rie hist\u00f3rica come\u00e7ou em 2012. 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