{"id":73971,"date":"2024-04-06T14:34:05","date_gmt":"2024-04-06T14:34:05","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=73971"},"modified":"2024-04-06T14:34:05","modified_gmt":"2024-04-06T14:34:05","slug":"governo-lanca-medidas-para-evitar-invasoes-do-mst-no-abril-vermelho-e-abre-flanco-de-desgaste-com-o-agro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/governo-lanca-medidas-para-evitar-invasoes-do-mst-no-abril-vermelho-e-abre-flanco-de-desgaste-com-o-agro\/","title":{"rendered":"Governo lan\u00e7a medidas para evitar invas\u00f5es do MST no &#8216;abril vermelho&#8217; e abre flanco de desgaste com o agro"},"content":{"rendered":"<p>O movimento vem demonstrando descontentamento com o ritmo de desapropria\u00e7\u00f5es no terceiro mandato do petista, de quem \u00e9 aliado hist\u00f3rico. Tamb\u00e9m se queixa por at\u00e9 hoje n\u00e3o ter sido recebido pelo presidente em uma reuni\u00e3o. As ocupa\u00e7\u00f5es promovidas pelos sem-terra s\u00e3o consideradas um fator de desgaste para o Executivo em um momento de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro usam as invas\u00f5es para atacar a gest\u00e3o petista. As a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m desagradam o agroneg\u00f3cio, setor do qual o governo tenta se aproximar.<br \/>\nO an\u00fancio da pr\u00f3xima segunda-feira visa desencorajar o MST a promover o seu tradicional \u201cabril vermelho\u201d. No m\u00eas de anivers\u00e1rio do massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, que deixou 19 mortos em 1996, o movimento tradicionalmente promove marchas e invas\u00f5es.<\/p>\n<p>Em abril do ano passado, os sem-terra ocuparam, por exemplo, uma \u00e1rea da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), em Pernambuco, e da Suzano Papel e Celulose, no Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nLideran\u00e7as do movimento se mostraram dispostas a aguardar a apresenta\u00e7\u00e3o das medidas pelo governo antes de decidir como ser\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o dos militantes sem-terra neste m\u00eas.<\/p>\n<p>O plano do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio \u00e9 anunciar na pr\u00f3xima semana um pacote de a\u00e7\u00f5es, com a compra de terras, financiamento de agricultura familiar, metas de reforma agr\u00e1ria, de demarca\u00e7\u00e3o de terras de quilombos e apresenta\u00e7\u00e3o de uma prateleira de terras \u2014 levantamento de \u00e1reas devolutas ou devedoras de impostos que possam ser usadas para assentamentos.<\/p>\n<p>O ministro Paulo Teixeira afirma que o objetivo \u00e9 \u201cacelerar\u201d a disponibiliza\u00e7\u00e3o de terras com as novas medidas.<br \/>\n\u2014 Queremos apontar duas dire\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 de uma entrega de novos assentamentos, com uma meta. O segundo aspecto \u00e9 do di\u00e1logo. Este \u00e9 um governo que est\u00e1 dialogando, que est\u00e1 aberto a aperfei\u00e7oamento, que est\u00e1 aberto a buscar recursos para ampliar as possibilidades de atender a reforma agr\u00e1ria \u2014 afirmou Teixeira ap\u00f3s uma reuni\u00e3o com Lula na quarta-feira.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o presidente recebeu representantes da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), outro movimento que luta por reforma agr\u00e1ria, que apresentaram ao presidente uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDados do minist\u00e9rio mostram que desde o in\u00edcio do terceiro mandato de Lula, em janeiro do ano passado, foram assentadas 10.995 fam\u00edlias. A atualiza\u00e7\u00e3o mais recente foi em dezembro de 2023.<\/p>\n<p>O MST, movimento historicamente ligado ao PT, considera que o ritmo \u00e9 insuficiente para atender a demanda. H\u00e1 uma estimativa de que 110 mil fam\u00edlias, pertencentes a diversos movimentos de luta por terra, estejam acampadas pelo pa\u00eds.<br \/>\nMotivos de insatisfa\u00e7\u00e3o<br \/>\nAinda de acordo com o movimento, o governo Lula, em sua maioria, apenas concluiu processos de assentamentos que tinham sido iniciados nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e paralisados na gest\u00e3o de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>O MST ainda se queixa que as desapropria\u00e7\u00f5es de terra est\u00e3o paradas na Casa Civil. A pasta n\u00e3o comentou. Em uma entrevista semana passada, o ministro Rui Costa atribuiu a insatisfa\u00e7\u00e3o dos sem-terra aos problemas herdados do governo anterior.<br \/>\n\u2014 O povo que luta pela reforma agr\u00e1ria sofreu por quatro anos, sendo maltratado, desprezado. \u00c9 evidente que isso cria uma expectativa e uma ansiedade grande e um desejo que as coisas aconte\u00e7am de forma instant\u00e2nea, imediata. Mas a realidade nem sempre \u00e9 assim porque pegamos um pa\u00eds muito desarrumado.<\/p>\n<p>O leque de medidas pr\u00f3-MST amea\u00e7a criar novos atritos com o agroneg\u00f3cio, setor notoriamente resistente ao governo Lula, mas que vem recebendo acenos em uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o. Encontros com o segmento j\u00e1 come\u00e7aram a ocorrer, em um roteiro que prev\u00ea tamb\u00e9m lan\u00e7amento de obras, mais cr\u00e9dito e viagens a locais onde a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola tem peso expressivo na economia.<\/p>\n<p>A iniciativa vem na sequ\u00eancia de um primeiro ano de mandato com turbul\u00eancias. Lula chegou a afirmar que o agro tinha um \u201cproblema ideol\u00f3gico\u201d com o governo e comparou parlamentares da bancada ruralista a \u201craposas cuidando do galinheiro\u201d durante a discuss\u00e3o sobre o marco temporal das terras ind\u00edgenas. O veto de Lula ao projeto foi derrubado pelo Congresso. No m\u00eas de anivers\u00e1rio do massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, que deixou 19 mortos em 1996, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tradicionalmente promove marchas e invas\u00f5es pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Propriedade da Suzano: No que chamou de \u201cJornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agr\u00e1ria\u201d, cerca de 200 fam\u00edlias invadiram uma propriedade de 11 mil hectares em Aracruz (ES). O local \u00e9 usado para planta\u00e7\u00e3o de eucalipto para a confec\u00e7\u00e3o de celulose. O MST alegou que as terras pertencem ao governo do estado e foram griladas pela empresa Aracruz Celulose, adquirida pela Suzano Papel e Celulose.<\/p>\n<p>Sedes do Incra: O MST tamb\u00e9m fez protestos em sedes do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) em 12 estados. Segundo o movimento, as ocupa\u00e7\u00f5es tinham como objetivo entregar documentos e pedidos de abertura de negocia\u00e7\u00f5es. Pressionado, o presidente Lula cedeu ao grupo e trocou sete das 29 superintend\u00eancias do Incra por nomes indicados por movimentos populares do campo de cada estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento vem demonstrando descontentamento com o ritmo de desapropria\u00e7\u00f5es no terceiro mandato do petista, de quem \u00e9 aliado hist\u00f3rico. Tamb\u00e9m se queixa por at\u00e9 hoje n\u00e3o ter sido recebido pelo presidente em uma reuni\u00e3o. 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