{"id":7351,"date":"2017-12-28T13:35:18","date_gmt":"2017-12-28T13:35:18","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=7351"},"modified":"2017-12-28T13:35:18","modified_gmt":"2017-12-28T13:35:18","slug":"sem-ajuda-de-bagda-comerciantes-reconstroem-bairro-historico-de-mossul-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/sem-ajuda-de-bagda-comerciantes-reconstroem-bairro-historico-de-mossul-2\/","title":{"rendered":"Sem ajuda de Bagd\u00e1, comerciantes reconstroem bairro hist\u00f3rico de Mossul"},"content":{"rendered":"<p>Cansados de esperar pela ajuda de Bagd\u00e1, que n\u00e3o vem, comerciantes do mercado de S\u00e9rail, no bairro hist\u00f3rico de Mossul, decidiram reconstruir por conta pr\u00f3pria suas lojas, uma tarefa tit\u00e2nica considerando a extens\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de meses de sil\u00eancio l\u00fagubre, o bairro voltou a ouvir o som de martelos, enquanto escavadeiras retiram os detritos em um cen\u00e1rio de desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fui o primeiro a reabrir minha loja h\u00e1 dois meses depois de ter limpado o local com a ajuda de outros comerciantes, diz Zanun Yun\u00e8s Rajab, de 44 anos.<\/p>\n<p>Para retirar os escombros da rua, esse pai de cinco anos gastou, como seus colegas, 25 mil dinares, ou 20 d\u00f3lares. O mesmo para as ruas vizinhas, das mercearias, onde, novamente, nenhuma ajuda do Estado chegou.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda perigoso &#8211;<\/p>\n<p>O mercado, do qual uma parte data do per\u00edodo dos Om\u00edadas, h\u00e1 13 s\u00e9culos, traz cicatrizes de nove meses de combates de viol\u00eancia in\u00e9dita que resultaram na expuls\u00e3o dos jihadistas do grupo Estado Isl\u00e2mico (EI) de seu reduto no Iraque.<\/p>\n<p>Fachadas destru\u00eddas, tetos derrubados, ruas obstru\u00eddas por ferro retorcido e mercadorias saqueadas nas lojas: n\u00e3o resta muito do que era antes da guerra um dos bairros mais animados da segunda maior cidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 localizado na margem oeste de Mossul &#8211; cidade cortada pelo rio Tigre -, a parte que mais sofreu por conta dos bombardeios a\u00e9reos.<\/p>\n<p>O bairro de S\u00e9rail \u00e9 um emaranhado de ruas estreitas onde est\u00e3o instaladas lojas das mais variadas, de especiarias, caf\u00e9, carv\u00e3o, roupas ou doces.<\/p>\n<p>As portas que d\u00e3o acesso ao mercado viraram cinzas e \u00e9 dif\u00edcil e at\u00e9 perigoso entrar, mesmo que agentes da seguran\u00e7a assegurem que a \u00e1rea seja segura.<\/p>\n<p>Bombas e outros dispositivos explosivos ainda est\u00e3o sob os entulhos, onde corpos est\u00e3o em estado de putrefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nada disso tem desanimado os comerciantes locais, decididos a reviver seu bairro, um dos \u00faltimos reconquistados pelas for\u00e7as governamentais.<\/p>\n<p>Oper\u00e1rios tentam remover uma laje de concreto. Outros instalam uma arma\u00e7\u00e3o de ferro antes de quebrar o concreto para reconstruir uma cal\u00e7ada na frente de uma loja.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos esperar a prefeitura porque \u00e9 extremamente lenta e certamente levar\u00e1 meses para adotar um plano para Mossul, diz \u00e0 AFP Abu Spice, vendedor de especiarias de 33 anos.<\/p>\n<p>O prefeito, Zuhair al-Araji, defende-se dizendo que deve trabalhar com meios limitados dispon\u00edveis para o munic\u00edpio, enquanto que os equipamentos da prefeitura foram roubados ou destru\u00eddos pelos jihadistas.<\/p>\n<p>&#8211; Nossa alma &#8211;<\/p>\n<p>Contamos apenas com n\u00f3s mesmos, porque o governo central at\u00e9 agora n\u00e3o tem plano para a reconstru\u00e7\u00e3o de Mossul, indicou \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>Enquanto a eletricidade e o abastecimento de \u00e1gua ainda n\u00e3o foram restabelecidos em algumas \u00e1reas, e algumas estradas ainda s\u00e3o intransit\u00e1veis, Araji, assegura que faltam ve\u00edculos para os funcion\u00e1rios municipais.<\/p>\n<p>De um total de 1.800, s\u00f3 restam 300, explica.<\/p>\n<p>No mercado do S\u00e9rail s\u00e3o volunt\u00e1rios a p\u00e9 que percorrem as ruas, que se tornaram um verdadeiro canteiro de obra ao ar livre.<\/p>\n<p>Abu Nabil, de 65 anos, passou quase toda a sua vida na mais antiga loja de tapetes da cidade, transmitida de pai para filho.<\/p>\n<p>Cansado de esperar desde o an\u00fancio, no m\u00eas de julho, da liberta\u00e7\u00e3o de Mossul, assumiu a tarefa de reconstru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o consigo imaginar a minha vida sem o meu trabalho e a minha loja. Estou limpando e come\u00e7ando a trazer de volta tudo o que tinha guardado antes da batalha, explica \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>Porque para ele, assim como para seus vizinhos, nossa loja \u00e9 nossa alma, n\u00e3o podemos viver serenos sem ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansados de esperar pela ajuda de Bagd\u00e1, que n\u00e3o vem, comerciantes do mercado de S\u00e9rail, no bairro hist\u00f3rico de Mossul, decidiram reconstruir por conta pr\u00f3pria suas lojas, uma tarefa tit\u00e2nica considerando a extens\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o. 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