{"id":7349,"date":"2017-12-28T13:34:36","date_gmt":"2017-12-28T13:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=7349"},"modified":"2017-12-28T13:34:36","modified_gmt":"2017-12-28T13:34:36","slug":"arquivos-britanicos-revelam-relato-macabro-do-massacre-de-tiananmen-em-1989-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/arquivos-britanicos-revelam-relato-macabro-do-massacre-de-tiananmen-em-1989-2\/","title":{"rendered":"Arquivos brit\u00e2nicos revelam relato macabro do massacre de Tiananmen em 1989"},"content":{"rendered":"<p>Dez mil mortos, cad\u00e1veres esmagados por ve\u00edculos blindados e manifestantes perfurados por baionetas pelo Ex\u00e9rcito chin\u00eas, \u00e9 a hist\u00f3ria macabra revelada vinte e oito anos depois por um documento brit\u00e2nico sobre o massacre na Pra\u00e7a da Paz Celestial, Tiananmen, em junho de 1989 em Pequim.<\/p>\n<p>A estimativa m\u00ednima de mortes civis \u00e9 de 10 mil, conclui um telegrama secreto enviado em 5 de junho de 1989 por Alan Donald, embaixador brit\u00e2nico em Pequim, ao seu governo ap\u00f3s a sangrenta repress\u00e3o de sete semanas \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es por democracia na China.<\/p>\n<p>Este documento dos Arquivos Nacionais brit\u00e2nicos, publicado mais de 28 anos ap\u00f3s os eventos, foi consultado pela AFP.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 quase dez vezes maior do que os balan\u00e7os que circulam e que situam o n\u00famero de v\u00edtimas entre v\u00e1rias centenas e mil mortos.<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas, que imp\u00f5e um tabu sobre este per\u00edodo, afirmou, por sua vez, em junho de 1989, que a repress\u00e3o dos tumultos contra-revolucion\u00e1rios deixou 200 mortos entre os civis e v\u00e1rias d\u00fazias entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O testemunho de Alan Donald projeta um terr\u00edvel cen\u00e1rio de viol\u00eancia que se desencadeou na noite de 3 a 4 de junho, quando o Ex\u00e9rcito iniciou sua marcha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 gigantesca Pra\u00e7a de Tiananmen, cora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico do poder comunista ocupada pelos manifestantes.<\/p>\n<p>Os ve\u00edculos blindados que transportavam tropas do 27\u00ba Ex\u00e9rcito abriram fogo contra a multid\u00e3o (&#8230;) antes de passarem por cima, escreveu o embaixador. Alan Donald cita como fonte uma pessoa cuja identidade manteve em segredo, mas que obteve a informa\u00e7\u00e3o de um amigo pr\u00f3ximo, atualmente membro do Conselho de Estado, o governo chin\u00eas.<\/p>\n<p>Quando os militares chegaram \u00e0 Pra\u00e7a de Tiananmen os estudantes entenderam que tinham uma hora para sair, mas depois de apenas cinco minutos, os ve\u00edculos blindados atacaram, relata Alan Donald. Os manifestantes foram feitos em peda\u00e7os.<\/p>\n<p>Os tanques passaram sobre os corpos v\u00e1rias vezes, transformando em uma massa, antes que os restos fossem apanhados por uma escavadeira. Os restos humanos foram incinerados e jogados nos esgotos, diz em linguagem telegr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&#8211; Primitivos &#8211;<\/p>\n<p>Quatro estudantes feridas que suplicavam por suas vidas foram atingidas por baionetas, acrescenta o embaixador, antes de detalhar que as ambul\u00e2ncias militares receberam tiros quando tentaram intervir.<\/p>\n<p>Esses abusos s\u00e3o atribu\u00eddos principalmente ao 27\u00ba Ex\u00e9rcito, composto por soldados da prov\u00edncia de Shanxi (norte), analfabetos em 60% e qualificados como primitivos e que era liderado por Yang Zhenhua, sobrinho de Yang Shangkun, ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Popular (uma posi\u00e7\u00e3o honor\u00e1ria).<\/p>\n<p>De acordo com o documento, a repress\u00e3o provocou tens\u00f5es no Ex\u00e9rcito. O comandante militar da regi\u00e3o de Pequim negou alimentos e quart\u00e9is aos soldados das prov\u00edncias para restaurar a ordem.<\/p>\n<p>Alguns membros do governo acreditam que a guerra civil \u00e9 iminente, diz o embaixador.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero de mortos, acho que \u00e9 confi\u00e1vel, declarou \u00e0 AFP o ex-l\u00edder estudantil Xiong Yan, agora com nacionalidade americana.<\/p>\n<p>O relato tamb\u00e9m \u00e9 considerado cred\u00edvel pelo especialista Jean-Pierre Cabestan, que lembra que os documentos desclassificados nos \u00faltimos anos nos Estados Unidos apontam as mesmas estimativas. Isso faz com que duas fontes independentes digam o mesmo.<\/p>\n<p>Este equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o surpreendente, considerando o n\u00famero de pessoas que havia em Pequim, o n\u00famero de pessoas mobilizadas contra o governo chin\u00eas, assinala o pesquisador da Universidade Batista de Hong Kong, que estava na capital chinesa nos dias anteriores \u00e0 repress\u00e3o.<\/p>\n<p>O regime havia perdido o controle de Pequim, lembra ele, com in\u00fameros postos de controle ocupados por manifestantes em toda a cidade.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os lutaram, provavelmente houve muitas mais batalhas do que acredita-se, ressalta.<\/p>\n<p>O ex-l\u00edder estudantil Feng Congde, estabelecido nos Estados Unidos, menciona, no entanto, outro telegrama enviado tr\u00eas semanas depois pelo embaixador Donald que reduz o n\u00famero de mortos para entre 2.700 e 3.400.<\/p>\n<p>Feng considera esta estimativa bastante confi\u00e1vel e revela que coincide com a da Cruz Vermelha chinesa (2.700 mortos) e dos comit\u00eas estudantis junto aos hospitais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez mil mortos, cad\u00e1veres esmagados por ve\u00edculos blindados e manifestantes perfurados por baionetas pelo Ex\u00e9rcito chin\u00eas, \u00e9 a hist\u00f3ria macabra revelada vinte e oito anos depois por um documento brit\u00e2nico sobre o massacre na Pra\u00e7a da Paz Celestial, Tiananmen, em junho de 1989 em Pequim. 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