{"id":7321,"date":"2017-12-28T13:25:03","date_gmt":"2017-12-28T13:25:03","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=7321"},"modified":"2017-12-28T13:25:03","modified_gmt":"2017-12-28T13:25:03","slug":"a-solidao-de-um-comerciante-sirio-em-meio-as-ruinas-do-souk-de-aleppo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/a-solidao-de-um-comerciante-sirio-em-meio-as-ruinas-do-souk-de-aleppo-2\/","title":{"rendered":"A solid\u00e3o de um comerciante s\u00edrio em meio \u00e0s ru\u00ednas do souk de Aleppo"},"content":{"rendered":"<p>Antes da guerra, era um dos souks mais animados da Cidade Velha de Aleppo, mas hoje em Khan al-Harir, o mercado da seda, h\u00e1 apenas uma loja que vende toalhas de pl\u00e1stico no meio de edif\u00edcios destru\u00eddos.<\/p>\n<p>A entrada do com\u00e9rcio de Mohamad Shawash, com tapetes e colchas pendurados, \u00e9 o \u00fanico o\u00e1sis colorido em meio a uma paisagem de desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s a reconquista dos bairros rebeldes da segunda maior cidade da S\u00edria pelas tropas de Bashar al-Assad, os becos ao redor de sua tenda seguem devastados.<\/p>\n<p>O comerciante de 62 anos reabriu sua loja no ver\u00e3o passado, alguns meses depois que a cidade foi reconquistada.<\/p>\n<p>Agora espera os clientes, que j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o a Khan al-Harir, um setor inscrito na lista do patrim\u00f4nio mundial da Unesco, mas destru\u00eddo por quatro anos de combates.<\/p>\n<p>Eu chorei quando voltei pela primeira vez, lembra Shawash.<\/p>\n<p>Era tudo destrui\u00e7\u00e3o. As lojas estavam destru\u00eddas, as ruas cobertas de escombros e pedras, os edif\u00edcios derrubados, conta.<\/p>\n<p>A Cidade Velha de Aleppo foi onde aconteceram os mais violentos combates entre as tropas do regime e os rebeldes entre 2012 e dezembro de 2016.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m &#8211;<\/p>\n<p>Outrora famosa por seu famoso mercado coberto, o maior do mundo com 4.000 lojas, a \u00e1rea nada se parece com o que foi.<\/p>\n<p>Shawash reconstruiu a sua para provar ao mundo inteiro que a Cidade Velha de Aleppo preservou sua alma.<\/p>\n<p>Neste oceano de destrui\u00e7\u00e3o, formam-se pequenas ilhas de vida.<\/p>\n<p>Em novembro, as autoridades inauguraram uma via do restaurado Souk al Khumruk. Apenas algumas lojas foram reabertas.<\/p>\n<p>Eu cresci aqui. Minha loja ficava aberta das 07h00 at\u00e9 tarde da noite, conhecia todos, lembra Shawash.<\/p>\n<p>As ruas estavam sempre cheias de pessoas, empresas, restaurantes, vendedores de roupas, tapetes, m\u00f3veis, mas agora, n\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m, lamenta.<\/p>\n<p>Quando ele voltou pela primeira vez, sua loja havia sido saqueada, uma parede derrubada, mas acima de tudo, as ruas do bairro estavam desertas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de perder dinheiro ou mercadorias. Perdi meus vizinhos, meu ambiente, perdi-me, diz ele.<\/p>\n<p>Shawash reconstruiu seu neg\u00f3cio, pedra por pedra. Agora ele voltou a uma rotina.<\/p>\n<p>Todas as manh\u00e3s ele tira e exp\u00f5e as toalhas de mesa e se senta confortavelmente em uma cadeira de pl\u00e1stico \u00e0 espera de clientes. Mas ningu\u00e9m vem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele guarda sua mercadoria, fecha a loja e volta para sua casa.<\/p>\n<p>Antes do conflito, vendia cerca de 50.000 a 70.000 libras s\u00edrias (entre 1.000 e 1.500 d\u00f3lares no c\u00e2mbio de antes da guerra), ele explica.<\/p>\n<p>Agora vendo cerca de 400 libras (0,9 centavos de d\u00f3lar) o suficiente para comprar um sandu\u00edche falafel, diz.<\/p>\n<p>Shawash espera que os jovens voltem para Aleppo, o s\u00edmbolo da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um s\u00edmbolo desfigurado pela guerra. Al\u00e9m do souk, sua famosa mesquita e a cidadela medieval foram danificadas.<\/p>\n<p>Estou orgulhoso de ser o primeiro a reabrir minha loja, mas espero que haja vida novamente no souk, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da guerra, era um dos souks mais animados da Cidade Velha de Aleppo, mas hoje em Khan al-Harir, o mercado da seda, h\u00e1 apenas uma loja que vende toalhas de pl\u00e1stico no meio de edif\u00edcios destru\u00eddos. 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