{"id":7258,"date":"2017-12-28T13:06:52","date_gmt":"2017-12-28T13:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=7258"},"modified":"2017-12-28T13:06:52","modified_gmt":"2017-12-28T13:06:52","slug":"agricultores-tentam-adaptar-plantacoes-aos-alagamentos-de-bangladesh-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/agricultores-tentam-adaptar-plantacoes-aos-alagamentos-de-bangladesh-2\/","title":{"rendered":"Agricultores tentam adaptar planta\u00e7\u00f5es aos alagamentos de Bangladesh"},"content":{"rendered":"<p>Satkhira (Bangladesh), 26 dez (EFE).- No sul de Bangladesh, perto da fronteira com a \u00cdndia, agricultores passam boa parte da vida com as planta\u00e7\u00f5es completamente inundadas.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, toda vez que um alagamento acontecia, Mahfuza Begum ficava em casa a maior parte tempo sem poder cultivar nada e fazendo as substitui\u00e7\u00f5es que podia nas refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando eu quero sair, tenho que usar as t\u00e1buas de madeira para atravessar a \u00e1gua e chegar \u00e0 estrada, em um terreno pr\u00f3ximo e mais alto que o restante, relatou a agricultora \u00e0 Ag\u00eancia Efe.<\/p>\n<p>L\u00e1 as pessoas que tiveram as casas invadidas pela \u00e1gua s\u00e3o colocadas em ref\u00fagios tempor\u00e1rios. O aumento do n\u00edvel \u00e9 um fen\u00f4meno c\u00edclico no sudoeste do pa\u00eds. A casa de Mahfuza costuma ficar a salvo porque est\u00e1 localizada em um ponto mais alto do que o normal, em um local que tem \u00e1gua para todos os lados, seja em pequenas lagoas ou em amplas extens\u00f5es.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o do sul, conhecida como um delta gigante, o rio Kapotakkha e seus afluentes mal t\u00eam for\u00e7a para levar suas \u00e1guas para a foz, entre outros motivos pela extra\u00e7\u00e3o h\u00eddrica que ocorre \u00e0 medida que passa pela \u00cdndia.<\/p>\n<p>A sazonalidade das correntes e a intrus\u00e3o de \u00e1gua salgada nos aqu\u00edferos de \u00e1gua doce contribuem tamb\u00e9m pra as inunda\u00e7\u00f5es, que a popula\u00e7\u00e3o assume como algo natural entre seis e oito meses do ano.<\/p>\n<p>Para evitar que a vida pare por causa disso, quase seis mil agricultores pobres aprenderam a adaptar a produ\u00e7\u00e3o que t\u00eam em um projeto da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) realizado em 2016.<\/p>\n<p>Mahfuza foi uma das participantes. Hoje ela se sente orgulhosa de ter transformado um pequeno tanque esquecido da sua casa em um espa\u00e7o para cultivar os pr\u00f3prios peixes.<\/p>\n<p>Agora tenho mais seguran\u00e7a financeira, posso conseguir excedentes e vender no mercado. Parte do dinheiro eu invisto na educa\u00e7\u00e3o dos meus filhos, contou ela, antes acostumada a ficar sem comida e ter que compr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Os participantes, a maioria deles extremamente pobres, recebem forma\u00e7\u00e3o para melhorar pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, pecu\u00e1ria, nutri\u00e7\u00e3o e no\u00e7\u00f5es de novas tecnologias adaptadas ao entorno. Entre as novidades est\u00e3o sacos que elas podem usar para transportar as plantas quando a \u00e1gua sobe, hortas para cultivar alimentos mais caros no mercado e redes para apanhar o peixe antes que escape quando o lugar come\u00e7a a alagar.<\/p>\n<p>De acordo com o coordenador do projeto-piloto desenvolvido no distrito de Satkhira, Kaiser Khan, outra novidade para estas pessoas \u00e9 o dinheiro que recebem depois que passam pelo curso. Os que vivem em situa\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias, sem possuir nem menos terra, recebem at\u00e9 US$ 150 (cerca de R$ 500). Com esse valor \u00e9 poss\u00edvel comprar uma cabra, alguns insumos b\u00e1sicos e alimentos.<\/p>\n<p>Embora Mohammed Mizanur j\u00e1 tenha um lote onde plante arroz, a ajuda dada e o pouco dinheiro que economizou permitiram que ele investisse em outras atividades. De todas as novidades que experimentou, a mais interessante foi a possibilidade de expandir as atividades nos setores de aves e na aquicultura.<\/p>\n<p>O arroz leva muito tempo para colher. Agora, posso conseguir renda muito mais r\u00e1pido, declarou, mostrando o novo viveiro de galinhas e ressaltando j\u00e1 ter visto um aumento exponencial do lucro em apenas um ano.<\/p>\n<p>Nessa luta cont\u00ednua contra a invas\u00e3o das \u00e1guas, interesses muito diversos se chocam, entre agricultores que pedem para dren\u00e1-las para ter mais terras cultiv\u00e1veis e aquicultores satisfeitos com a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>De acordo com o respons\u00e1vel do governo local para a agricultura, Amjad Hussain, \u00e9 muito complicado encontrar uma sa\u00edda para o excesso de \u00e1gua. Em sua opini\u00e3o, essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o com a qual Bangladesh tem que aprender a conviver e, como exemplo, ele citou as \u00e1reas que combinam aquicultura e agricultura em v\u00e1rias \u00e9pocas do ano, dependendo de qu\u00e3o inundadas ficam as terras. EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Satkhira (Bangladesh), 26 dez (EFE).- No sul de Bangladesh, perto da fronteira com a \u00cdndia, agricultores passam boa parte da vida com as planta\u00e7\u00f5es completamente inundadas. 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