{"id":6913,"date":"2017-12-27T18:06:07","date_gmt":"2017-12-27T18:06:07","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=6913"},"modified":"2017-12-27T18:06:07","modified_gmt":"2017-12-27T18:06:07","slug":"o-flagelo-dos-ataques-raciais-a-fazendeiros-na-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/o-flagelo-dos-ataques-raciais-a-fazendeiros-na-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"O flagelo dos ataques raciais a fazendeiros na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Bateram nele com um grande tronco [&#8230;]. Eu ouvia os ossos dele quebrando. Debbie Turner conta no lar de idosos onde vive a lenta agonia de seu marido, que foi espancado por agressores negros at\u00e9 a morte em sua fazenda da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Robert Oki Turner, um fazendeiro branco de 66 anos, passou a engrossar h\u00e1 seis meses a longa lista de v\u00edtimas de um dos legados envenenados do apartheid, os assassinatos de agricultores.<\/p>\n<p>Um quarto de s\u00e9culo depois do fim do regime segregacionista, o pa\u00eds vive uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, fracassos econ\u00f4micos e divis\u00f5es raciais.<\/p>\n<p>At\u00e9 quatro ou cinco anos atr\u00e1s viv\u00edamos felizes em uma fazenda nas montanhas de Limpopo (nordeste), recorda Debbie.<\/p>\n<p>Mas a viol\u00eancia extrema das grandes cidades se estendeu \u00e0s prov\u00edncias, com assaltos, tomadas de ref\u00e9ns e execu\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes em troca de resgates rid\u00edculos, como uma ca\u00e7adeira ou um aparelho de telefone.<\/p>\n<p>No \u00faltimo 14 de junho, foi a vez dos Turner. Em plena noite, homens armados irromperam em sua fazenda.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o me estuprem &#8211;<\/p>\n<p>Arrastaram-me para dentro da casa, colocaram-me debaixo do chuveiro e queriam me estuprar, conta a sexagen\u00e1ria. Eu disse a eles: Tenham piedade, n\u00e3o me estuprem, tenho aids.<\/p>\n<p>Os assaltantes arrastaram depois Oki para o lado dela e lhe deram uma surra, antes de roubar milhares de randes do cofre.<\/p>\n<p>Robert Turner morreu pouco depois, no hospital.<\/p>\n<p>A cada ano, dezenas de agricultores brancos morrem na \u00c1frica do Sul de forma violenta, embora n\u00e3o existam estat\u00edsticas detalhadas sobre estes crimes.<\/p>\n<p>A ONG AfriForum, porta-voz da minoria branca (9% da popula\u00e7\u00e3o), fez deste um de seus principais combates.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul \u00e9 um pa\u00eds muito violento, reconhece o vice-presidente da organiza\u00e7\u00e3o, Ernst Roets. Mas estes ataques tamb\u00e9m t\u00eam uma causa pol\u00edtica. Alguns dirigentes predicam o \u00f3dio contra os fazendeiros brancos e os acusam de todos os males.<\/p>\n<p>Em sua mira est\u00e1 Julius Malema, chefe da esquerda radical que exorta a tomar a terra dos brancos, e o presidente, Jacob Zuma, que em 2010 entoou o c\u00e2ntico revolucion\u00e1rio atirem no fazendeiro, atirem no boer (descendente de colono holand\u00eas).<\/p>\n<p>A agricultura sul-africana continua controlada, em grande parte, pelos descendentes dos colonos. Os agricultores brancos possuem 73% das terras, segundo um estudo recente.<\/p>\n<p>&#8211; Mesma condena\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>Em um contexto de desemprego maci\u00e7o, florescem os chamados \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o radical da economia em benef\u00edcio dos negros.<\/p>\n<p>Os negros acreditam que roubamos o pa\u00eds deles, aponta o agricultor Gerhardus Harmse. Mas fomos n\u00f3s que o constru\u00edmos.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o extremista \u00e9 muito ativa. No final de outubro, seus partid\u00e1rios provocaram um esc\u00e2ndalo ao mostrar a antiga bandeira da \u00c1frica do Sul em manifesta\u00e7\u00f5es nas que os fazendeiros brancos pediam ao governo medidas concretas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro da Pol\u00edcia, Fikile Mbalula, negou-lhes qualquer tratamento privilegiado em um pa\u00eds onde a cada dia morrem 52 pessoas devido \u00e0 viol\u00eancia, em sua maioria negros.<\/p>\n<p>O assassinato de qualquer sul-africano deve ser condenado da mesma forma, afirmou.<\/p>\n<p>Os agricultores negros tamb\u00e9m sofrem com a inseguran\u00e7a, mas resistem a se unir ao combate de seus colegas brancos. N\u00e3o aceitamos que alguns utilizem seu status de agricultores para difundir um discurso de extrema-direita, explica Vuyo Mahlati, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores Africanos (Afasa).<\/p>\n<p>Ao se considerarem abandonados pelo governo, muitos agricultores brancos garantem sua seguran\u00e7a com seus pr\u00f3prios meios, \u00e0s vezes patrulhando durante a noite, armados com pistolas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso se proteger. [&#8230;] Queremos estar tranquilos, justifica Marli Swanepoel, de 37 anos, dono de uma fazenda isolada em Limpopo.<\/p>\n<p>Outros se recusam a ceder perante o medo, como Hans Bergmann, assaltado uma manh\u00e3 por homens armados que atiraram em seu p\u00e9 e esvaziaram seu cofre.<\/p>\n<p>Vieram pelo dinheiro. [&#8230;] Todo mundo acha que os agricultores s\u00e3o ricos, diz este sexagen\u00e1rio. Mas n\u00e3o vou come\u00e7ar a me trancar. A vida \u00e9 assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bateram nele com um grande tronco [&#8230;]. Eu ouvia os ossos dele quebrando. Debbie Turner conta no lar de idosos onde vive a lenta agonia de seu marido, que foi espancado por agressores negros at\u00e9 a morte em sua fazenda da \u00c1frica do Sul. 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